Corregedoria vai ouvir Turek
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sexta-feira, 24 de agosto de 2001
Dimitri do Valle<BR>De Curitiba 
O deputado Nelson Turek (PFL) será o primeiro a depor na Corregedoria da Assembléia sobre denúncias de compra de votos para barrar o projeto de iniciativa popular contra a venda da Copel. Ele será notificado na segunda-feira pelo corregedor da Casa, deputado Caíto Quintana (PMDB). A data do depoimento não está marcada. Também serão chamados os deputados Luiz Fernandes Litro (PSDB) e Moysés Leônidas (PSB), que confirmou ter recebido promessas do governo para aplicar recursos na sua base eleitoral, em Londrina.
Turek afirmou em entrevista que obterá verbas para a região de Campo Mourão, caso defendesse a privatização. Falando sobre os recursos que o eventual leilão da estatal renderia, o deputado declarou numa emissora de tevê a cabo de Campo Mourão que ''Ano que vem o governo tem R$ 200 milhões para os municípios''. A gravação foi mostrada ontem à imprensa.
''Devo trazer para Campo Mourão e região de R$ 5 a R$ 7 milhões'', estimou Turek na entrevista, realizada no dia 10 deste mês. Ao ser questionado pelo apresentador do programa que perguntou ''Quanto cada deputado está levando com a venda Copel?'', o deputado afirmou: ''Você sabe que na política tem de tudo...''. Em seguida dá uma série de argumentos para se justificar. ''Acho que a desestatização só vai melhorar a empresa.''
Turek disse que estatais são focos de corrupção. Ele deu como exemplo o próprio Banestado, vendido ao Banco Itaú no ano passado. ''Sou contra estatal. Governo tem que administrar segurança, saúde, que está muito mal.'' O corregedor Caíto Quintana observou que não há problemas quando o deputado manifesta interesse por verbas para sua região. No entanto, alertou que o poder do voto não pode ser usado para barganhar dinheiro.
Quintana disse que analisará se existem elementos jurídicos para enquadrar os deputados no crime de falta de decoro parlamentar (punido com advertência, suspensão ou cassação do mandato) por terem declarado que receberão benefícios do governo em troca do apoio contra o projeto. Segundo Caíto, a investigação estará concluída até o início de outubro, antes da virtual venda da Copel. Os pareceres sobre as condutas de Turek, Litro e Leônidas serão encaminhados à Comissão de Ética da Assembléia, que vota as conclusões do corregedor.


