Três meses e meio depois de pipocarem as primeiras denúncias contra os delegados João Ricardo Képes Noronha (ex-delegado geral da Polícia Civil) e Mário Ramos (ex-titular do Centro de Operações Policiais Especiais), de envolvimento com o narcotráfico e com o desmanche de carros, nenhum procedimento disciplinar foi instaurado na Corregedoria da Polícia Civil. Os delegados respondem a inquéritos policiais.
‘‘São várias as investigações que estão em andamento. Por esta razão, não abrimos qualquer processo disciplinar contra os delegados’’, justifica Leonyl Ribeiro, delegado geral da Polícia Civil.
As investigações que estão em andamento estão baseadas num relatório entregue pelos deputados federais que integram a CPI do Narcotráfico. Faltam ser repassados outros dois relatórios sobre os depoimentos e investigações realizados em Foz do Iguaçu e Ponta Grossa. ‘‘O leque aberto é muito grande. Temos que investigar tudo com cuidado para não cometermos injustiças. A CPI Nacional nem terminou seus trabalhos, não vamos nos atropelar’’, afirmou o delegado geral.
Enquanto Noronha e Ramos não respondem a qualquer procedimento na Corregedoria da Polícia Civil, o delegado Kioshi Hattanda (ex-delegado de Proteção e Defesa do Consumidor) já foi denunciado pelo Ministério Público e responde processo disciplinar interno. ‘‘Foi mais fácil terminar as investigações deste caso’’, defendeu ele. ‘‘Estamos fazendo uma investigação preliminar, não sabemos quanto tempo irá demorar. Queremos terminar o quanto antes’’.
A Folha entrou em contato com a Secretaria da Segurança, mas a assessoria respondeu que apenas o Departamento de Polícia Civil é quem responde pelo assunto. No último dia 10 de abril, quando a prisão de Noronha foi revogada pela Justiça, a assessoria do governo garantiu que dois processos adminstrativos tinham sido instaurados contra o delegado por quebra de hierarquia, ao não comparecer para depor na CP e na Comissão de Sindicância do Estado que apurava o caso.
O Ministério Público também não concluiu as investigações sobre as denúncias que envolvem Noronha e Ramos. Os promotores falam com cautela sobre o assunto. Ao todo, são 50 volumes com documentos, incluindo a quebra de sigilo telefônico e fiscal dos delegados. O advogado Luiz Alberto Machado, que defendeu Noronha, disse que não existe nada contra o delegado. ‘‘Tentaram indiciá-lo em inquérito, mas não conseguiram provar nada. Tudo teve um objetivo político’’, explicou Machado.

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