Corregedoria inocenta ligados à Antissepsia
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
Os servidores municipais de Londrina Marcos Rogério Ratto e Gilberto Alves de Lima, acusados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de integrarem uma quadrilha montada para desviar recursos públicos da área da saúde, foram absolvidos pela Corregedoria da prefeitura, órgão ligado à Procuradoria-Geral do Município (PGM). O processo interno que poderia resultar na demissão dos dois foi aberto no mês de maio do ano passado. Publicado há um mês, o resultado aponta que Ratto e Lima não cometeram infrações disciplinares.
As suspeitas contra eles começaram com a Operação Antissepsia, deflagrada pelo Gaeco em abril de 2011, quando foram presos Ratto, Lima e mais 19 pessoas, entre elas o então procurador do município, Fidélis Canguçu, os diretores do instituto Gálatas, Glaucia Chiararia e o marido Silvio Luz Rodrigues, além do diretor do instituto Atlântico, Bruno Valverde. Também foram acusados de participação o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) e a esposa dele.
Em depoimento ao Ministério Público (MP) do Paraná os drigentes dos institutos disseram ter utilizado notas fiscais frias para desviar os recursos. Ratto e Lima também teriam confirmado participação no esquema, porém, nas declarações prestadas à Corregedoria, acusaram o Gaeco de ter coletado os depoimentos sob pressão. Ratto falou que foi ouvido ''sob murros na mesa e que foi praticamente obrigado assinar o seu depoimento da maneira que ele estava''.
Ratto, que ocupava uma cadeira no Conselho Municipal de Saúde, teria recebido dinheiro para pressionar outros conselheiros e servidores para contratação do Gálatas e teria agido em conluio com outros acusados para desvio de recursos. Quanto a Gilberto Lima, havia indícios de que teria fornecido dados pessoais para que o Gálatas depositasse três cheques de R$ 1,5 mil na sua conta, que posteriormente seriam entregues a Ratto, como propina.
Durante o procedimento administrativo, comandado pelo corregedor adjunto Bernardo Luiz Domingos Fumio, foram ouvidos demais integrantes do conselho, servidores municipais, a diretora do instituto, Gláucia Chiararia, além de dois ex-secretários de Saúde, Ana Olympia Dornellas e João Carlos Barbosa Perez.
Perez chegou a declarar ao corregedor que se sentiu ameaçado por Ratto para liberar os pagamentos ao Gálatas, mesmo diante de irregularidades na prestação de contas do instituto. Na véspera do Dia das Mães, Ratto teria dito, numa das supostas ameaças, que ''você vai deixar mamãezinha sem presente'', afirmou Perez. O corregedor, entretanto, entendeu ter havido no máximo ''uma pressão por parte do servidor Marcos Ratto''.
O corregedor escreve na sua avaliação final que existem suspeitas de grande proximidade entre o servidor e o instituto Gálatas e que vislumbra também ''alguns indícios de cometimento de infração disciplinar''. Por outro lado, ele aponta que as irregularidades não ficaram devidamente comprovadas e Ratto foi absolvido. Da mesma forma, no caso de Lima, que também afirmou ter prestado depoimento sob pressão no Gaeco, a corregedoria avaliou que não houve infração disciplinar.
A reportagem não localizou os servidores ontem. As investigações do MP resultaram em ações que ainda tramitam na Justiça.


