Corregedoria independente
Requião deve tanto na área de Segurança como naquelas em que fez denúncias especiais (Copel, Transportes por causa do pedágio) seguir o aconselhamento do florentino Maquiavel: fazer o ''mal'' de uma só vez e o ''bem'' aos poucos, em dosagens homeopáticas. Assim na área policial não será de espantar que venha a aplicar com rigor uma norma do estatuto da categoria que permite ao governador deixar numa espécie de afastamento os agentes, entre delegados e corpo auxiliar, que estejam sob sindicância. Haveria 40 deles na primeira lista.
Ao convidar para delegado geral um policial como Adauto Abreu de Oliveira, que é detestado pelos ''pragmáticos'' e olhado até como um ''dedo-duro'' pela fauna da acomodação, sinaliza para um estilo forte e determinado, pouco importando saber quem acabará assumindo o comando da pasta. Nesta semana Adauto reuniu todos os servidores da Corregedoria para agradecer o empenho e anunciou algumas idéias que o futuro governo avalia para aquele setor, uma delas em ofertar maior faixa de autonomia, como se desligada do sistema e capaz de operar com um máximo de independência, a fim de sanear, de forma definitiva, as patologias da área tão bem conhecidas.
Para um sistema que está operando deficitariamente ficar sem 40 policiais, a maior parte deles operacionais, não vai ser nada fácil. Enquanto isso a rotina da pasta é mantida e anteontem o ex-delegado geral Ricardo Kepps de Noronha ficou mais de uma hora prestando depoimento na Corregedoria, evidência de que, a despeito das demoras e que afinal asseguram o amplo direito de defesa, a atividade é normal e não se abalou com o envolvimento de dois delegados num caso de suposto favorecimento a uma quadrilha especializada em roubo de cargas.
BIZARRICE No almoço do restaurante ''Per Tutti'', Requião elogiou o empenho dos que brigaram contra a venda da Copel, mas reconheceu que quem derrubou a operação foi Osama Bin Laden junto com as torres geminadas. Risinhos nervosos marcaram a observação. Afinal no imaginário dos ''heróis'' há mais lugar para o martírio do que para a alegria.
AXIOMA O fim do governo Lerner lembra em tudo ''o baile da Ilha Fiscal'' que precedeu a queda da monarquia. E o governador se parece com algo mais do que um rei na derradeira propaganda que circula pela tevê.
GLOSA Lerner poderia dizer ''depois de mim o dilúvio'' como também já provou a procedência da outra frase de Luis XIV ''O Estado sou eu''. E como é.
EPIGRAMA A cidade de Rio Branco do Sul ficou famosa por ter reagido à idéia de abrigar um ''lixão''. Na gestão municipal passada, acharam na propriedade industrial do ex-prefeito um ''cemitério'' de peças de automóveis e agora um desmanche em instalação da municipalidade.
FOLCLORE Quem estranhar o predomínio de políticos no secretariado de Requião (como os casos de Waldyr Pugliesi nos Transportes, Strapasson na Secretaria Especial de Assuntos da Região Metropolitana de Curitiba, e Pimentel na Copel) não deve esquecer que ele prometeu coisas muito pouco técnicas como água, luz e leite de graça. Poderia acrescentar a tudo isso ''moranguinho com nata''.
CROMO Rosana, como decliná-la, no melhor latim, sem um pouco de emoção?
AFORÍSTICO Há sexo sem amor. E carinho e ternura sem sexo. Uma certa dose de carinho e ternura no sexo torna o amor mais gozozo, como dizia Darci Ribeiro.
SCAPS Requião vai retornar aos seus repousos na Ilha das Cobras. No momento atual, porém, é tal o assédio dos pretendentes a cargos que gostaria de manter-se protegido por um cerco de cobras verdadeiras e escorpiões.
VINHETA Deputados recuaram agora na pretensão dos R$ 12 mil para assistir a posse do novo governo, mas dentro em pouco recebem tudo em dobro.
ASTERISCO Requião promete choque de capitalismo nas relações com a mídia, mas dificilmente apoiará um choque de democracia em sua gestão por uma questão de clara e inquestionável incompatibilidade.





