A investigação sobre uma suposta cobrança de propina por parte do vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) contra o empresário Maurício Costa não esmoreceu com o silêncio do engenheiro à Câmara de Vereadores de Londrina. Apesar de vencido anteontem o prazo para que Costa se manifestasse por escrito à Casa, desde a última quinta-feira corre na Corregedoria uma investigação que conta com o depoimento de vereadores, funcionários do Legislativo e cópia de um depoimento do vereador Ivo de Bassi (PTN) ao Ministério Público (MP) sobre o caso.
Apesar de Bassi vir negando desde a última sexta-feira qualquer tipo de conversa com membros da Comissão de Ética, ontem o corregedor Rony Alves (PTB) admitiu que o parlamentar depôs à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e à Corregedoria no procedimento que, posteriormente, será encaminhado à Mesa para análise de eventual abertura de processo administrativo - o que dependerá, antes da análise de plenário de parecer da Procuradoria Jurídica.
A FOLHA confirmou com o MP o depoimento de Bassi. Outros vereadores e funcionários do Legislativo, apurou a reportagem, já teriam também sido ouvidos. Gouvêa, que nega a acusação de suposto pedido de vantagem a Costa quando da aprovação do projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', do Executivo, votado em junho passado, ainda não depôs.
Questionado sobre o depoimento de Bassi e de outros parlamentares que também serão chamados a falar no processo da Corregedoria, Alves invocou dispositivos do Código de Ética e Decoro Parlamentar para manter sigilo sobre as declarações prestadas pelo vereador na última sexta.
''Temos os artigos sexto e oitavo do Código que nos impõem sigilo até que tenhamos todo o material pronto. É fato que vereadores, funcionários da Casa e gente de fora serão ouvidos, tantas vezes quantas forem necessárias'', afirmou o corregedor, que não descartou, por exemplo, oitiva do presidente da Casa, José Roque Neto (PTB). Em depoimento ao MP, Roque Neto afirmou ter ouvido de Costa a versão do suposto achaque que teria sofrido de Gouvêa durante a aprovação do primeiro turno da matéria.
Sobre o depoimento de Bassi ao MP, Alves apenas confirmou a posse do material e o subsídio dele às investigações do órgão, mas não soube precisar em que instância o parlamentar teria falado primeiramente: se à Câmara ou à Promotoria. Por que elencou o vereador para oitiva na sexta? ''Porque em boa parte do tempo achei que ele tivesse algo a contribuir. E confesso que, nos últimos dias, tenho analisado bem os vídeos das sessões da Casa'', sinalizou o corregedor.
Em discurso afinado ao do petebista, e após longa reunião secreta na Presidência, Bassi confirmou o depoimento ao MP, ao qual admitiu ter sido convocado, e citou os mesmos artigos do Código de Ética que tratam do sigilo das declarações. Mas se esquivou quando o assunto foi a relação dele com Gouvêa sobre o projeto do ''Minha Casa'': ''Não tenho nada a declarar, sob risco de ser cassado. Vamos falar sobre isso num dia mais gostoso, quando esclarecerem os fatos''.

mockup