Corregedoria apura denúncias de fraude
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quinta-feira, 27 de junho de 2002
Andréa Michael<BR>Agência Folha 
Brasília - A Corregedoria da Polícia Federal vai investigar se houve fraude nos procedimentos adotados pela PF para analisar uma suposta denúncia contra o presidenciável petista, Luiz Inácio Lula da Silva, iniciados em dezembro de 2000 e suspensos apenas na última quarta-feira. Segundo o ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, será aberto um procedimento administrativo na corregedoria.
A denúncia contra Lula teria sido feita por telefone à CPI do Narcotráfico em novembro de 2000 por Fernando Tenório Cavalcanti. Nos arquivos da comissão, no entanto, não há registro do telefonema, no qual o petista teria sido acusado de possuir imóveis em São Bernardo do Campo (SP) usando nome de laranjas.
O delegado destacado para assessorar a CPI, Alberto Lassere, enviou o registro da denúncia para a Corregedoria Geral da PF em 4 de dezembro de 2000, um dia antes do encerramento dos trabalhos da comissão. O agente que relatou a denúncia, Paulo Roberto Poloni, disse à reportagem que cumpriu sua missão de registrar as informações.
Depois de um longo caminho burocrático, a tramitação da denúncia no âmbito da PF foi suspensa anteontem, quando o caso chegou à imprensa e surgiram especulações de que o petista estaria sendo investigado pela instituição com objetivos políticos. Não houve investigação (sobre Lula), disse Reale Júnior, que tomou conhecimento do caso quando foi procurado pelo presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), e pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, há cerca de um mês e meio.
A essa altura, a denúncia já havia sido encaminhada à Superintendência da PF em São Paulo, para maiores esclarecimentos. Segundo o ministro, houve demora na remessa a Brasília das informações que ele solicitou.
Ontem pela manhã, o diretor-geral da PF, Itanor Neves Carneiro, disse que não houve nenhum procedimento em relação a Lula, mas sim o envio de documentos para unidades da polícia em São Paulo. Uma pessoa só é investigada pela PF quando há indícios suficientes para instaurar um inquérito, disse. E descartou a utilização da PF para fins políticos. A PF jamais se prestou a isso.
O anúncio das providências foi feito ontem, após uma reunião entre o ministro e um grupo de oito representantes da bancada do PT.
Segundo o líder do partido na Câmara, deputado João Paulo Cunha (SP), houve o uso de um documento forjado para investigar Lula. Não queremos que nosso candidato a presidente continue sendo bisbilhotado e espionado, declarou.


