Curitiba - A Corregedoria Geral do Estado irá analisar os três laudos que avaliam terrenos que estão sendo desapropriados pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e que apresentaram divergências que chegam a 400%. Os terrenos são em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, e deverão ser usados nas obras de construção do Piraquara II. Um dos terrenos teve uma avaliação inicial de R$ 593 mil e outra de R$ 2,3 milhões. Não houve uma nova avaliação e a Sanepar decidiu pagar pelo valor mais alto. Um segundo terreno ao lado foi avaliado em valores similares e foi desapropriado por R$ 830 mil.
Inicialmente a desapropriação e o pagamento dos imóveis foram aprovados no dia 11 de fevereiro pelo CAD, que não tinha conhecimento de avaliações anteriores. Nova reunião de emergência foi marcada para ontem e ficou decidido que ''os eventuais questionamentos quanto à validade dos laudos técnicos analisados somente poderão ser dirimidos pelo Poder Judiciário''. A perícia judicial teria que ser promovida em caráter emergencial para evitar perdas para o governo do Estado - como a paralisação indevida das obras do Piraquara II.
O governador Roberto Requião (PMDB) disse que quer saber se existem irregularidades nas avaliações - todas feitas por técnicos supostamente capacitados da Sanepar. ''A Corregedoria vai analisar. Espero que não tenha problema algum. A idéia é ver a legalidade dos valores pelos quais os terrenos foram comprados'', disse Requião.
O grande problema é que a compra foi feita tão rapidamente que dois dias depois os valores já haviam sido depositados judicialmente para os proprietários dos terrenos. Uma medida cautelar com pedido de tutela antecipada foi ajuizada com o intuito de sobrestar (ou seja, impedir) o levantamento dos valores já depositados para os proprietários dos terrenos desapropriados.
Além da análise da Corregedoria, o assunto também será acompanhado pela Assembléia Legislativa. Ontem, o plenário da Casa aprovou um requerimento em que a bancada de oposição pede informações sobre as desapropriações. A Sanepar terá 30 dias para apresentar as respostas aos deputados. (Colaborou Rodrigo Lopes)

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