Apesar da repercussão e das claras irregularidades na construção e funcionamento do City Shopping, onde está localizada a loja de departamentos Havan, na Rua Benjamin Constant, no centro de Londrina, a Corregedoria ainda não está apurando eventual envolvimento de servidores. O empreendimento foi inaugurado em outubro de 2012 e começou a funcionar sem alvará e sem Habite-se, autorizações negadas devido à rejeição do Estudo de Impacto de Vizinhança pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), ao avanço do recuo que deveria ser de cinco metros, mas foi de apenas 2,5 metros e à edificação de Polo Gerador de Tráfego (PGT) em Zona Comercial Um (ZC1), o que é proibido pela legislação.
"Há elementos suficientes para a abertura de uma investigação e certamente vamos investigar este fato, mas estou aguardando o melhor momento", disse o corregedor-geral Alexandre Trannin, acrescentando que "temos juntado todas as publicações que saem na imprensa para termos uma linearidade sobre o caso". "Não estamos alheios. Eu poderia instaurar um procedimento de ofício, mas sem uma situação definida, correríamos o risco de prescrição."
O corregedor explicou que após a instauração de um procedimento há prazo de 180 dias para abrir uma sindicância ou processo administrativo contra servidores envolvidos em irregularidades. "Neste caso da Havan, os nomes dos eventuais envolvidos ainda não estão claros. Poderíamos não conseguir apurar todas as informações no tempo necessário e o processo prescreveria e seria arquivado", declarou. Para ele, há "dois momentos distintos" no caso Havan: "Primeiramente, o fato de o estabelecimento ter começado a funcionar ser toda a documentação necessária e, em seguida, como os órgãos vão agir para regularizar a situação. As medidas adotadas podem atenuar ou agravar o caso, por isso, prefiro esperar."
Atualmente, a Corregedoria tem apenas quatro corregedores, além de Trannin, e dois servidores administrativos. "Temos que equalizar as denúncias com nossa capacidade de processá-las sob pena de as mais antigas prescreverem." O setor já apura denúncias de cobrança de propina para concessão de alvarás. "Não temos com colocar o caso Havan nesta investigação porque esta sindicância já tem um volume enorme de documentos."
O controlador-geral, Hélcio dos Santos, disse que em sua pasta também não há procedimentos instaurados sobre a Havan porque esta seria uma incumbência da Corregedoria. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público instaurou procedimento há cerca de um mês para apurar irregularidades no City Shopping.

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