Corregedor sugere cassação de Paulinho
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
Denise MadueÀo<br>Agência Estado 
Brasília - O corregedor da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), conclui hoje seu parecer sugerindo à Mesa da Casa que peça a abertura de processo de cassação do mandato do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP), no Conselho de Ética. Cabe à Mesa enviar a representação ao conselho. Inocêncio vai concluir seu parecer mesmo sem receber os documentos do Ministério Público. Os dados que forem chegando à corregedoria da Câmara sobre o suposto envolvimento do deputado no esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) serão encaminhados ao conselho.
Para pedir o processo de cassação, o corregedor deve apontar o abuso de prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Nacional previsto no Código de Ética da Câmara. A base para esse argumento está na conversa de Paulinho com o advogado e ex-conselheiro do BNDES Ricardo Tosto - também investigado na Operação Santa Tereza -, duas horas depois de o ex-conselheiro ter deixado a carceragem da PF.
Na conversa telefônica gravada pela PF, Paulinho afirma, segundo relatório da polícia, que vai ''mexer os pauzinhos'' no Congresso para convocar o ministro da Justiça, Tarso Genro, para explicar a prisão de Tosto. Ou seja, Paulinho poderia ter usado o mandato com a intenção de intimidar o ministro, superior hierárquico da PF. Na Câmara, o processo é disciplinar e não criminal.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ainda não marcou a próxima reunião da Mesa. Desde a morte do deputado Ricardo Izar (PTB-SP), no início do mês, o Conselho de Ética está sem presidente. Chinaglia marcou a eleição para quarta-feira. O PTB reivindica a indicação do cargo para o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS). Paulinho negou em defesa escrita na corregedoria, em discurso no plenário e em entrevistas na Câmara qualquer envolvimento no suposto esquema de desvio de dinheiro do BNDES.


