O corregedor da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PPB-PE), e o 3º secretário da Casa, Paulo Paim (PT-RS), cobraram explicações do senador José Eduardo Andrade Vieira (PTB-PR), que disse que o ‘‘pianismo’’ é uma prática comum entre os deputados. Para Cavalcanti e Paim, depois de fazer essas declarações, o senador terá de indicar os parlamentares que costumam votar em nome de outro.
‘‘Se ele fez essa afirmação graciosa, deve saber muito bem como funciona (o pianismo). Se os seus liderados usaram, ele deve ter orientado’’, disse Cavalcanti. ‘‘Para conhecer tão amiúde esse esquema, ele deve ter sido o professor. As suas aulas não devem ter sido muito boas, porque na primeira vez o deputado foi flagrado’’, completou o corregedor.
O deputado José Borba (PTB-PR), flagrado votando pelo deputado Valdomiro Meger (PFL-PR), é afilhado político de Andrade Vieira. A ‘‘Agência Folha’’ procurou Andrade Vieira ontem em sua casa em Curitiba e em seu gabinete em Brasília. Deixou recados nos dois lugares. Até o fechamento desta edição, ele não havia respondido.
Paim disse que vai pedir à Mesa da Câmara que convide o senador para prestar depoimento sobre o pianismo e indicar quem são os deputados envolvidos nessa prática. ‘‘Se há mais envolvidos, ele terá de apontá-los’’, afirmou. Segundo Cavalcanti, não cabe à Câmara interpelar o senador, mas ao Senado. ‘‘Eu tenho certeza de que o presidente do Senado (Antonio Carlos Magalhães), muito cioso e que tem dado uma linha de seriedade à sua administração, vai fazer a interpelação’’, afirmou Cavalcanti.
Apesar da reação de membros da Mesa da Câmara, Andrade Vieira não é o único a afirmar que o ‘‘pianismo’’ é prática comum. Segundo deputados que pediram para não ter seus nomes revelados, alguns parlamentares ficam no fundo do plenário para votar por colegas. Nas últimas fileiras do plenário da Câmara é mais escuro, e as câmeras da TV Câmara não conseguem registrar a movimentação de deputados. (AF)

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