O corregedor da Câmara de Londrina, vereador Rony Alves (PTB), ''esticou'' até a próxima sexta-feira o prazo de 15 dias que ele dera - e que venceu ontem - para conclusão dos trabalhos do órgão a respeito da suposta cobrança de propina do vereador afastado Rodrigo Gouvêa (PRP) contra o empresário Maurício Costa. Os três dias a mais para finalizar um trabalho que se arrasta já desde setembro foram justificados ontem pelo parlamentar com a viagem que ele fez semana passada, a Foz do Iguaçu, como representante do Legislativo no Conselho Nacional de Educação (Conae). Indagado sobre que iniciativas são prioridade perante o cidadão - se a finalização de um processo sobre a conduta de outro parlamentar, ou se a presença em eventos como o Conae -, Rony respondeu: ''Se a gente pensar que é no Conae que se pensa a educação para os próximos 12 anos, creio que era fundamental, sim, estar lá''. ''Não contava com essa viagem quando defini o prazo de 15 dias.''
Segundo o corregedor, até sexta-feira será redigida a segunda representação - a qual pode ser por conduta atentatória ou incompatível com o decoro parlamentar. No primeiro caso, Gouvêa pode ficar sujeito a, por exemplo, uma advertência; no segundo, pode ser pedida abertura de uma Comissão Processante (CP) com poder de decisão sobre o futuro de seu mandato.
Nesse caso, a investigação está sobre a suposta cobrança que Gouvêa teria feito ao empresário quando da aprovação, em junho, do projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', do Executivo, situação que lhe rendeu duas ações - uma cível, de improbidade administrativa, e uma criminal, de corrupção passiva - no Ministério Público (MP). Em outra denúncia do MP nas esferas, contudo, mas por suposta contratação de assessora ''fantasma'', o parlamentar foi enquadrado pela Corregedoria por conduta incompatível ao decoro. Nos próximos dias, a Mesa deve reiniciar o processo de redação da denúncia que, levada a plenário, pode deflagrar a instalação de CP. Gouvêa, que recorreu ao Tribunal de Justiça (TJ) contra o atual afastamento, imposto dia 13 pela 1 Vara Cível, nega as acusações.

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