Corregedor é afastado por citar nomes de policiais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de março de 2002
Lucinéia Parra<br>Equipe da Folha 
Maringá - O corregedor da Polícia Civil, da região noroeste, Haroldo Luiz Vergueiro Davison foi afastado, ontem, das investigações que apuram o envolvimento de policiais de Maringá no recebimento de propinas pela liberação de Ivan Rodrigues da Silva, também conhecido por Monstro, Elcyd Oliveira Brito, o John, e ainda o menor S.S.J.R., acusados de terem participado do sequestro e assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT), no dia 20 de janeiro. Os marginais foram presos no dia 31 de janeiro em Maringá e liberados no dia seguinte.
Davison foi afastado do caso porque revelou, na manhã de ontem, os nomes dos seis policiais que participaram da prisão dos três marginais. No lugar dele assume hoje, as investigações, o corregedor da PC, da região nordeste, Idelberto Lagana.
O afastamento de Davison foi determinado pelo corregedor geral da PC, Adauto Abreu de Oliveira, que considerou indiscreta a sua atuação em Maringá. De acordo com Oliveira, o corregedor designado para o caso se precipitou ao divulgar os nomes dos policiais. Davison tinha assumido o caso na tarde de anteontem. Ele deveria ouvir ontem, o advogado Marcos Cristiane Costa da Silva, que segundo informações de José Edson da Silva, um dos integrantes da quadrilha que matou o prefeito Celso Daniel, teria intermediado as negociações para o pagamento de propina. Também estariam em nome do advogado uma casa e uma picape Ranger. Consta ainda que Ivan Rodrigues da Silva e Elcyd Oliveira Brito também teriam entregue R$ 10 mil, como parte do acerto para serem libertados.
Os policiais que efetuaram a prisão de Ivan e Elcyd são: Nilo Sérgio Antunes, João Edson Pinheiro, Antonio Rubens de Oliveira, Paulino Gonçalves, Shirley José da Silva Rodrigues e Robson Paulino dos Santos Guimarães. Ivan e Elcyd, conforme se descobriu ontem, foram presos com os nomes falsos de Alexandre Cintra de Toledo e Rafael Ribeiro Fernandes, respectivamente.
Ao falar com a imprensa ontem à tarde, Davison disse que se sentia prejudicado moralmente pelo afastamento do caso. Ele afirmou que estava sendo punido por expor a verdade e disse que as investigações levavam para o envolvimento de outros elementos. Talvez por isso eu esteja sendo afastado, acrescentou.


