Brasília, 15 (AE) - A correção de 10% na tabela do Imposto de Renda (IR) não repõe as perdas dos dois primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estimadas em 17,5%. O chamado custo da concessão o dinheiro que a Receita Federal deixará de recolher com o refresco oferecido aos assalariados representa menos de 23% dos R$ 8,8 bilhões que o governo ganhou desde o início de 2003 com o aumento real (acima do IPCA) da arrecadação do IR.
Somente nos dez primeiros meses deste ano, o imposto pago por pessoas físicas na fonte e durante a declaração anual rendeu R$ 29,4 bilhões, um aumento real de 12% sobre igual período de 2003. Na prática, isso significa que a Receita embolsa das famílias brasileiras R$ 3,5 bilhões a mais do que em 2003 e, em troca, oferece um alívio de, no máximo, R$ 2 bilhões com a correção de 10%.
O novo limite a partir do qual o trabalhador não precisa pagar IR passará de R$ 1.058 para R$ 1.164 a partir do dia 1º. Como o desconto só ocorre sobre o salário líquido, depois do desconto da contribuição previdenciária, estarão, efetivamente, isentas todas as pessoas que ganham até R$ 1.308.
Para os trabalhadores de menor renda, o alívio tributário representará cerca de R$ 15,90 a menos de desconto no contracheque. Para quem ganha acima de R$ 3 mil, o refresco será de R$ 42,40. Como atualmente o governo está oferecendo uma redução de R$ 15 a R$ 27,50 no desconto na fonte, a diferença efetiva que será percebida ao final do próximo mês será menor ainda.
Para quem ganha menos de R$ 2,2 mil mensais, por exemplo, a redução do imposto pago entre dezembro e janeiro será de apenas R$ 0,90. Para salários maiores, a diferença será do desconto atual de R$ 27,50 para R$ 42,40, ou seja, menos R$ 14,90.

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