Curitiba – O ex-deputado Pedro Corrêa (afastado do PP-PE), réu em uma das ações penais decorrentes da Operação Lava Jato, já começou a realizar depoimentos com o intuito de conseguir uma redução de pena e outros benefícios dentro de uma colaboração premiada fechada com o Ministério Público Federal (MPF). O político foi transferido do Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, para a carceragem da Polícia Federal (PF) no início da semana passada, para começar a prestar as primeiras informações para os procuradores.
Ele é o primeiro político investigado na Lava Jato disposto a revelar detalhes do megaesquema de corrupção e lavagem de dinheiro que se instalou na Petrobras. Dependendo do teor do conteúdo repassado aos investigadores, muitos outros nomes de políticos, inclusive com foro privilegiado, devem surgir, causando nova apreensão nos gabinetes e corredores do Congresso e Senado Federal, em Brasília. Por envolver pessoas com foro, a colaboração de Corrêa deve ser homologada pela Procuradoria Geral da República (PGR).
Fontes confirmam que as primeiras informações repassadas pelo político são importantes e podem abrir "novas portas" na investigação. Após negociar com os procuradores da Lava Jato e assinar o acordo, o advogado Michel Saliba, que até então fazia a defesa do ex-presidente do Partido Progressista (PP), deixou o caso.
Um dos fatores que influenciaram na decisão de Corrêa em negociar o acordo teria sido o envolvimento de sua família nas investigações. Sua filha, Aline Corrêa (ex-deputada pelo PP), seu filho Fábio Corrêa e sua nora Márcia Danzi também são réus no processo que tramita na Justiça Federal do Paraná.
Outro ponto fundamental para que o ex-deputado resolvesse colaborar foi a delação premiada de Rafael Ângulo Lopez, "homem da mala" do doleiro Alberto Youssef. Em seus depoimentos, ele disse ter entregue de R$ 150 mil a R$ 200 mil por mês a Corrêa e seus familiares.
Quando foi preso, em abril, Corrêa já cumpria pena pela condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) por seu envolvimento com o mensalão em 2012. Desta vez, conforme o MPF, ele é investigado por ter recebido R$ 40,7 milhões de propina por empreiteiras que tinham contrato com a Petrobras entre os anos de 2004 e 2014.
Antes de fechar a colaboração, Corrêa dividia espaço com outros dois ex-deputados federais, o paranaense André Vargas (sem partido-PR) e o baiano Luiz Argôlo no CMP. As defesas destes outros investigados não confirmam se seus clientes estariam dispostos a seguir o mesmo caminho. Conforme apurou a reportagem da FOLHA, Argôlo já teria até sondado um advogado para iniciar uma colaboração, mas a iniciativa não teve avanço. Já no caso de Vargas, a possibilidade ainda não teria nem sido cogitada por sua defesa.

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