Curitiba - Para o professor Clodomiro Bannwart, do departamento de filosofia da UEL (Universidade Estadual de Londrina), existem alguns aspectos a serem considerados. "Primeiro, é preciso levar em consideração que esse ano [2018] foi final de gestão de um governo que ficou oito anos [de Beto Richa, do PSDB]. Isso acaba criando certo desmorecimento. O segundo aspecto é o próprio ano eleitoral. A Assembleia tende a trabalhar menos, muitos [parlamentares ficam] voltados à reeleição, e há baixa produtividade em relação a projetos de interesse mais amplos da sociedade", afirmou.

Ainda segundo ele, não é possível dizer, avaliando os dados, que a Assembleia esteja pensando o Estado a médio e longo prazo. "O que me chama a atenção é que 137 projetos estão ligados a títulos de utilidade pública. É praticamente um terço. Não sei quem são os beneficiários desses títulos. Mas hoje temos um corporativismo muito grande de setores que acabam tendo influência nas Assembleias e no Congresso. Você acaba tendo benefícios na tratativa com o Estado - isenção de convênios, repasse de dinheiro público etc."

CUSTO-BENEFÍCIO
Outro elemento, de acordo com Bannwart, é a quantificação em contraposição à qualidade e ao custo operacional do Parlamento. "Não [digo] no sentido de trazer demérito ao exercício parlamentar. Mas, qual o custo da Assembleia para o retorno que se tem para a sociedade? Em matéria de projetos, fica muito aquém do esperado", pontuou. Ele lembrou que há dois anos, quando não estávamos num cenário eleitoral, participou de um levantamento na Câmara de Londrina e o resultado foi semelhante. "São coisas muito pequenas em relação à dimensão das demandas que a cidade tem", prosseguiu.

Na avaliação do professor, esse imediatismo é uma característica brasileira. "E isso talvez se reflita nas nossas Assembleias. A gente fica muito em torno de questões pequenas, pontuais. Você não vê nada tão grandioso que receba atenção, reflexão, debate. Na medida em que temos processo eleitoral a cada dois anos, quem está no Parlamento tem um pouco de cuidado. Temas polêmicos respingam muito mais rapidamente em deputados e vereadores, mais próximos de determinados segmentos da sociedade. É até uma forma de autoproteção, de enfrentar o processo eleitoral sem tantos arranhões", completou. (M.F.R.)

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