São Borja, RS - O governador Leonel Brizola, morto na segunda-feira no Rio de Janeiro, foi enterrado ontem em São Borja (RS), cidade tida como o ''berço do trabalhismo''. Segundo cálculos do comando da Brigada Militar, 25 mil pessoas participaram das homenagens a Brizola no município, que tem 64.820 habitantes e fica na fronteira com a Argentina. O corpo de Brizola foi enterrado às 16h no jazigo onde já estão os ex-presidentes Getúlio Vargas e João Goulart e sua mulher, Neusa Brizola.
Durante o dia, jornais e rádios da cidade lembravam uma frase dita por Brizola em São Borja, em 1979, ano em que retornou do seu exílio de 15 anos: ''E ali, naquele momento (no final do exílio), decidimos voltar por São Borja nem que tivéssemos de dar umas voltas pelo mundo inteiro. São Borja é como entrar pela porta da frente da nossa própria casa''.
Mais de 7 mil pessoas acompanharam o percurso do corpo de Brizola por oito quadras que separam a igreja matriz do cemitério, sob músicas como o Hino Nacional, o hino do Rio Grande do Sul e ''Querência Amada'', do compositor gaúcho Teixeirinha. No aeroporto de São Borja, 1,5 mil pessoas o receberam. Era ponto facultativo na cidade, que teve seu comércio fechado. As ruas ficaram tomadas para acompanhar o cortejo. O caixão foi levado em um caminhão de bombeiros do aeroporto até a igreja matriz.
''Ele é o meu padrinho, ele é o meu padrinho'', dizia, aos prantos, José Lorenzi, 58, professor aposentado, enquanto caminhava pelas ruas de São Borja trajando bombacha, botas e o característico lenço vermelho. Assis Pinheiro de Quevedo, 86, trajava as vestes gaúchas, carregava uma bandeira do PDT e contava histórias: seu pai era amigo de Vargas, ele trabalhou como peão para João Goulart e se tornou amigo de Brizola. ''Fui getulista, fui janguista e era brizolista, tudo de coração. E agora está tudo embaralhado''. Quevedo contou que, em 1979, quando Brizola chegou do exílio, ajudou a carregá-lo.
Dentre outras presenças de políticos, estiveram em São Borja o presidente nacional do PT, José Genoino, o presidente da Câmara, João Paulo (PT-SP), e o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PC do B), que receberam vaias isoladas de militantes da Força Sindical. ''As vaias são um fato menor perto do que representa o grande debate de idéias proposto por Brizola'', disse Genoino. Também foram ao enterro de Brizola o senador Pedro Simon (PMDB-RS) e a deputada federal Luciana Genro (RS), expulsa do PT.

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