Às 7h30 de ontem, Nedson Micheleti, candidato a prefeito de Londrina pelo PT, estava visitando funcionários da universidade para, em seguida, passar por um colégio. Começava mais um dia de uma série de encontros e caminhadas que ele cumpre desde o início da campanha. Por falta de recursos para realizar comícios, o petista tem tentado conquistar votos no corpo a corpo, gastando muita sola de sapato.
‘‘Tínhamos programado fazer 10 comícios no final da campanha, o que custaria R$ 35 mil, mas não conseguimos dinheiro’’, lamenta Nedson. Pelos cálculos de sua equipe, cada comício ‘‘bem simples, sem atrações musicais’’, custa entre R$ 3 e R$ 4 mil.
Para compensar a falta de comícios nos bairros, Nedson tem investido nas reuniões, encontros e visitas a empresas, bairros, escolas, centros comunitários de todas as regiões. A média diária é de 14 compromissos, segundo a assessoria do candidato. ‘‘O comício é importante pela mobilização, mas número de pessoas que encontramos por dia é maior que o reunido em um comício’’, observou.
Ontem, no início da tarde, acompanhado de dois assessores e um candidato a vereador, Nedson visitou as lojas do Calçadão, no centro. Andando rapidamente, ele entrava em todas as lojas, seguido pela equipe, que se encarregava de distribuir adesivos e folders com propostas de campanha.
O que Nedson mais ouviu foram questionamentos sobre o funcionamento do comércio no final de semana. A cada loja que entrava, ouvia perguntas do tipo ‘‘O que você acha da gente trabalhar sábado à tarde?’’ ‘‘Quando você estiver lá (na prefeitura), lembre-se dos comerciários’’, cobrou outra comerciária. ‘‘Para mim, as lojas têm que fechar às 13 horas de sábado; comércio aberto no sábado à tarde não aumenta a circulação de dinheiro’’, respondia o candidato.
Muitas pessoas abordadas pelo petista recebiam o material de campanha sem mostrar muito entusiasmo, enquanto outras desejavam boa sorte e diziam que vão votar nele. Expressões como ‘‘vá em frente’’, ‘‘boa sorte’’ e ‘‘fique com Deus’’ eram as mais ouvidas. ‘‘Se você ainda está indeciso, analise as propostas e, se gostar, vote na gente’’, repetia.
Acostumadas a receber brindes principalmente de candidatos a vereador, algumas pessoas também abordaram a equipe de Nedson para pedir canetas, por exemplo. ‘‘A gente diz que não tem brindes, mas oferece propostas concretas de governo’’, explica uma assessora.
Muitas cobranças também foram ouvidas pelo petista. ‘‘Vamos cobrar se você chegar lá, chega de candidatos que só prometem’’, criticou uma funcionária. ‘‘Espero que você não se esqueça da gente se virar prefeito’’, disse outra.
Durante o passeio, ele foi abordado também por uma cabo eleitoral de um outro candidato a prefeito, que lhe fez uma confidência: ‘‘Estou trabalhando para ele, mas sou sua eleitora.’’ A caminhada pelo Calçadão terminou por volta das 15 horas, mas sua jornada ontem só iria acabar por volta da meia-noite. Com essa reportagem a Folha encerra hoje a série que fez com reportagens do gênero com os cinco candidatos de Londrina.

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