Coronel indiciado desaparece
Murilo Fiuza de Melo
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O coronel PM Walter Gomes Ferreira, que teve a prisão decretada na quinta-feira à noite, a pedido da CPI do Narcotráfico, está foragido. O oficial, que foi afastado da Diretoria de Ensino da PM, foi acusado de liderar a banda podre da polícia capixaba. Segundo o comandante do Policiamento Ostensivo do Estado, coronel Edson Ribeiro do Carmo, a polícia já esteve na casa do coronel, na Praia de Itapuã, em Vila Velha (Grande Vitória), mas informaram que ele havia viajado com a família para local ignorado. Segunda-feira há serviço normal no quartel e esperamos que o coronel apareça, disse.
Carmo explicou que se Ferreira não se apresentar em oito dias ele irá responder a processo administrativo por deserção. O coronel Ferreira foi indiciado pela CPI do Narcotráfico por corrupção, homicídio, formação de quadrilha, proteção a traficante e narcotráfico. Ele também teve os seus sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados.
A prisão do oficial foi pedida depois que a CPI recebeu depoimento do soldado Oséas de Souza Gomes à Corregedoria da PM, em que ele diz ter sido repreendido pelo coronel Ferreira por ter prendido o traficante Zuloago Cristo, o Zuninho, em Cariacica (Grande Vitória), em julho de 1998. Segundo o soldado, o oficial mandou que ele soltasse o traficante e lhe desse ainda três armas. A liberação de Zuninho teria tido a cumplicidade do atual comandante geral da PM capixaba, coronel João Carlos Batista, que está sendo investigado pelo Gabinete Militar do governo.
O coronel da reserva Marcos Antônio Santos, que foi acareado com Ferreira, na última quarta-feira, e o acusou de ser responsável por vários crimes de mando no Estado, foi ameaçado de morte, logo depois de prestar depoimento à CPI. Um telefonema anônimo dado ao Centro de Operações da PM (Copom), na última quinta-feira, denunciou que um grupo de pistoleiros estaria à procura do oficial, que agora está sob proteção da polícia.
O presidente da OAB capixaba, Agesandro da Costa Pereira, que também prestou depoimento à CPI, para a qual entregou um dossiê sobre o crime organizado no Estado, também foi ameaçado de morte. Quando ele estava sendo ouvido em sessão reservada da comissão, na terça-feira, um homem ligou para a casa do advogado e disse que ele e sua família iriam morrer.
Ontem, o empresário Paulo Amorim afirmou que os seus sigilos bancário, fiscal e telefônico estão à disposição da CPI. Ele foi acusado pelo Senhor Y, traficante que atuou no Pará e no Mato Grosso e depôs em sigilo à comissão, de ser um dos empresários capixabas que acobertam sofisticado esquema de envio de cocaína do porto de Vitória para Europa e Estados Unidos. O esquema foi montado por traficantes da Colômbia e do Paraguai, entre os quais Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.
Sou uma pessoa conhecida mundialmente por ser recordista em pesca de marlin azul, talvez por isso me fizeram essa acusação, disse Amorim, sem perder a calma.





