Coronel-candidato apela para bustiês de lycra
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sábado, 30 de setembro de 2000
Fausto Macedo Agência Estado De São Paulo 
Símbolo da repressão política nos anos 70, o coronel Erasmo Dias voltou às ruas de São Paulo desta vez em busca de votos que lhe garantam uma vaga na Câmara Municipal. Candidato a vereador pelo PPB, o velho militar marchou todos os dias pelas praças e calçadões do Centro distribuindo humildemente santinhos e brindes. Entre os presentes desde receitas deliciosas de doces e salgados até tops e bustiês de lycra. Na capanga preta, presa ao punho direito, a inseparável pistola 9 milímetros.
Aos 76 anos, três vezes deputado estadual e uma federal, Erasmo lançou-se a um surpreendente corpo a corpo de terno e gravata. Na manhã ensolarada de quinta-feira, por exemplo, o coronel estava no Largo do Paissandu dividindo espaço com garotas de programa, camelôs e desempregados que perambulam por ali. Estrategicamente, não toma a iniciativa de abordar diretamente cidadãos anônimos. Confessa ter um medo desgraçado de tomar um fora. Quando é reconhecido, aí sim, anuncia sua candidatura. Mais à vontade, entrega o material de propaganda.
A bandeira do coronel, naturalmente, é a luta pela segurança. Não podia ser diferente. O tema virou uma obsessão em sua vida desde os tempos de caserna. Em 1974, último ano do governo Laudo Natel, o regime militar impôs sua nomeação para o cargo de chefe da Secretaria da Segurança Pública.
Permaneceu no posto até o final do governo Paulo Egyio Martins. Foi nessa época que São Paulo conheceu o coronel linha-dura que mandava reprimir manifestações de estudantes e operários a golpes de cassetete, bombas de gás e jatos de areia disparados pelos brucutus pesados caminhões da tropa-de-choque que ocupava a cidade.
Em 1998, Erasmo não conseguiu reeleger-se para uma cadeira na Assembléia, embora tivesse recebido 39 mil votos. Ficou na terceira suplência. Ele acredita que poderá retornar ao Palácio Nove de Julho em breve.


