Cordeiro se exalta e agride assessor de Gustavo Krause
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sexta-feira, 06 de dezembro de 1996
Agência Estado 
BRASíLIA - O chefe de gabinete do ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause, Sérgio Salles, foi agredido ontem com um soco no rosto pelo deputado Paulo Cordeiro (PTB-PR). O deputado, acompanhado de outros parlamentares do partido, foi até o gabinete cobrar explicações do ministro sobre a denúncia contra o líder do PTB, deputado Pedrinho Abrão (GO). Com sangue escorrendo pelo rosto, Salles deu queixa na polícia contra o deputado.
Estavam com Paulo Cordeiro os deputados Philemon Rodrigues (MG), Theodorico Ferraço (ES), Albérico Cordeiro (AL), Duílio Pisaneschi (SP), Chico da Princesa (PR) e José Borba (PR) e os senadores José Eduardo Andrade Vieira (PR), Valmir Campelo (DF) e Regina Assunção (MG). Quando chegaram ao gabinete, foram colocados numa sala ao lado de onde Krause dava entrevista. Segundo relato de Philemon Rodrigues, o grupo estava esperando havia 15 minutos quando Cordeiro começou a exigir que fossem recebidos. O senhor já comunicou nossa presença ao ministro?, perguntou Cordeiro ao chefe de gabinete.
Salles respondeu que Krause dava uma entrevista e que eles teriam de esperar, mas a audiência extra teria de ser rápida porque o ministro tinha compromisso na Câmara dos Deputados. Isso é uma falta de respeito, nem fomos anunciados, o ministro está fazendo uma denúncia e a gente está aqui para ver os documentos, irritou-se Cordeiro. Começou um bate-boca entre o deputado e o chefe de gabinete. Se o senhor não avisou o ministro, é um incompetente, disse Cordeiro, em tom alterado. Isso aqui é um gabinete de ministro, e o senhor retire o que disse, retrucou com dedo em riste o chefe de gabinete que, neste momento, ganhou um empurrão do deputado. O ex-ministro da Agricultura Andrade Vieira e o deputado Philemon Rodrigues ainda tentaram conter o parlamentar, mas Cordeiro deu um soco no assessor.
Quando viu a confusão armada, o deputado Albérico Cordeiro foi o primeiro a deixar a sala: Chamem a segurança, avisou às secretárias. Desconcertado, Andrade Vieira também saiu, enquanto Philemon e Theodorico tentavam acalmar Paulo Cordeiro. Na sala ao lado, Krause estava assustado com a gritaria e logo seu chefe de gabinete entrou pela porta: Olhe só, fui agredido, disse Salles com sangue no rosto, na roupa e nas mãos. Que absurdo é esse?, indignou-se o ministro. Ainda sangrando, Salles foi direto à delegacia para dar queixa contra Cordeiro.
Nós queremos que o ministro nos mostre documentos, é um direito do partido, reclamava Paulo Cordeiro ainda no Ministério, justificando que o assessor de Krause havia gritado com ele. Já imaginou um assessor dar de dedo num deputado? Meia hora depois, a comitiva já estava de volta ao Congresso.


