Coração de deputado foi retirado
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quinta-feira, 15 de outubro de 1998
Rosa Costa Agência Estado 
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), confirmou ontem notícia publicada pelo jornal Correio Braziliense, de Brasília, sobre a decisão do patologista Hélcio Luiz Miziara de retirar o coração de seu filho, deputado Luís Eduardo Magalhães, horas depois de sua morte, em abril último.
ACM disse que só tomou conhecimento do fato um mês depois. Foi o secretário de Comunicação do Senado, Fernando César Mesquita, quem lhe contou, depois de se certificar que a informação era verdadeira. Nem os amigos que foram vestir o corpo sabiam disso, afirmou o senador. Nunca houve a maluquice minha de pegar o coração de meu filho.
Chamado, na ocasião, para explicar o que realmente ocorreu, Miziara se justificou dizendo que agira assim para salvaguardar os médicos se houvesse qualquer acusação de negligência contra eles. A provável intenção deve ter sido a de não alimentar o estigma existente contra o atendimento médico em Brasília, desde a morte do ex-presidente Tancredo Neves. Eu disse que ele era um criminoso, passível de pena, por ter feito isso sem o consentimento da família, lembrou ACM.
Miziara admitiu que havia errado, mas o senador resolveu preservar a sua família e não o processou. E é ele quem guarda o coração de Luís Eduardo conservado em formol, no Laboratório de Anatomia e Patologia do Hospital de Base de Brasília. O patologista foi procurado ontem nos locais onde trabalha, mas não foi encontrado.
O senador disse que vai conversar com a viúva do deputado, Michele - que até agora desconhecia o episódio - para decidir o que fazer com o coração. As alternativas são a de seguir o conselho do cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, d. Eugênio Salles, amigo da família, e enterrar o coração com o corpo. Ou as de enviá-lo para estudos no Instituto do Coração de São Paulo (Incor) ou ainda de atender ao apelo de amigos próximos e entregá-lo para que seja colocado num monumento que está sendo construido em Salvador. Até hoje não acatei nenhuma das sugestões porque sei que isso seria doloroso para as pessoas que queriam bem a Luís Eduardo, afirmou. ACM disse que, depois dos diagnósticos que ouviu de cirurgiões renomados, como Adib Jatene, Gilson Feitosa e Maurício Nunes, concluiu que não houve imperícia médica no tratamento a seu filho.


