Coquetel molotov explode no TJ
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segunda-feira, 14 de julho de 1997
Agência Estado Maceió 
Dois coquetéis molotov explodiram na porta do prédio do Tribunal de Justiça de Alagoas ontem de madrugada. Os vidros de uma janela foram quebrados a tiros de espingarda calibre 12. O atentado está sendo investigado pelo delegado da Polícia Civil, Mário dos Santos, e a perícia, feita por agentes da Polícia Federal. Neste ano, a Assembléia Legislativa, o Palácio dos Martírios e a Câmara Municipal de Maceió também foram alvo de atentados a bomba e incêndios criminosos.
O presidente em exercício do TJ, desembargador Adalberto Correia de Lima, disse que não sabe a quem atribuir o atentado, que só causou danos materiais ao prédio recém-restaurado. O importante é que ninguém saiu ferido; a autoria desse ato de vandalismo fica a cargo da investigação policial, afirmou o desembargador. O Judiciário é o único dos três poderes que vem pagando em dia os salários dos servidores. Algumas categorias do funcionalismo, como os professores, estão com 8 meses de salários atrasados.
O superintendente da Polícia Federal, delegado Bergson Toledo, disse que a perícia da PF foi acionada porque a Polícia Civil está em greve desde a última sexta-feira. O que é grave é que esse tipo de atentado vem acontecendo com uma certa frequência em Alagoas, disse Toledo. Para ele, a falta de policiamento nas ruas, em função da greve da PM e da Polícia Civil, incentiva esse tipo de atentado. Além disso, a insatisfação generalizada por parte dos servidores públicos sem salários pode ter contribuído para atos dessa gravidade.
Os grevistas da PM e da Polícia Civil realizam hoje pela manhã uma marcha silenciosa pelas ruas do centro de Maceió em protesto contra os seis meses de salários atrasados. Por causa da greve da PM, a rodada do campeonato alagoano de futebol foi suspensa no último fim de semana. O comandante da PM, coronel João Evaristo, pediu à comunidade que evite frequentar lugares de grande movimentação e que só saia de casa se necessário.


