Coquetel molotov contra gás lacrimogênio
Coquetel molotov contra gás lacrimogênio
Um grupo de cerca de 150 manifestantes com o rosto coberto por camisas ou lenços foi o principal responsável pelo início do tumulto de ontem, em frente do Congresso, que resultou em dez feridos. Armados com pedras, paus e coquetéis molotov, os manifestantes, derrubaram as grades que separavam o gramado do prédio do Congresso.
A Polícia Militar reagiu com bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e com balas de borracha. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) temia o confronto, cuja responsabilidade foi assumida pelo comandante da PM, coronel Anibal Netto. Não poderia impedir que meus homens agissem em legítima defesa, afirmou Netto.
O incidente era previsto pelo presidente da CUT do Distrito Federal, José Zunga, e teve a intervenção de diversos deputados do PT. Num ato como este, é dificil a gente controlar todo o pessoal, afirmou Zunga, horas antes do confronto, e, no mesmo momento em que muitos manifestantes tomavam cerveja no Gran Circo Lar, onde estavam concentrados. O primeiro deputado a tentar acalmar os ânimos foi Jair Meneghelli (PT-SP), mas acabou tornando o clima ainda mais tenso, e por pouco não agrediu um oficial que comandava o pelotão de choque. Você é um estúpido, um desgraçado, xingou Meneghelli, diante do major, que se manteve impassível e dando ordens para continuar a repressão.
A partir daí, o comando do ato perdeu o controle dos manifestantes. O policiamento, que estava restrito a 1,2 mil homens em toda a Esplanada dos Ministérios, foi reforçado. O confronto também avançou para o meio da rua, em frente do Ministério da Justiça, onde um grupo de manifestantes, com o rosto coberto por camisas, máscaras e com bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), PT, PC do B e PSTU continuou a jogar pedras nos policiais, que responderam com mais gás lacrimogêneo. Neste episódio, quatro jornalistas - Francisco Leali (Rede Bandeirantes de Televisão), Robson Fernandes (fotógrafo do jornal O Estado de S. Paulo) e Alan Marques e Sérgio Lima (Folha de S. Paulo) - foram agredidos e feridos pelos PMs.
No fim do confronto, ninguém sabia exatamente qual o saldo negativo. O comando na manifestação contou seis feridos, enquanto o comandante da PM assegurava que quatro policiais foram agredidos com paus e pedaços de ferro tirados da grade de segurança do Congresso. Um deles, do Batalhão de Choque, quebrou a perna. Se os policiais não usassem a força, as barras de ferro seriam usadas contra nossos homens, afirmou o coronel Netto. Mesmo depois do episódio, alguns manifestantes, bêbados, provocavam os policiais, para desespero do comando do ato. A venda de bebida alcoólica aos participantes do protesto tinha sido, em vão, proibida pelo governo do Distrito Federal.
Muitos dos manifestantes não sabiam o motivo do protesto. Vim conhecer a cidade; não quero violência, afirmou o aposentado Jales Evangelista, que foi recrutado por sindicalistas em Uberlândia, Minas Gerais. (AE)





