Cópia de ação sigilosa está sendo distribuída em Maringá
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quinta-feira, 16 de novembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
Cópias da ação criminal da Procuradoria da República contra o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luiz Antônio Paolicchi e outros três servidores da prefeitura acusados de desviar R$ 2,6 milhões dos cofres do município, estão sendo distribuídas livremente pela cidade. Por conter nomes de pessoas e empresas beneficiadas pelos cheques emitidos pelo advogado Waldemir Ronaldo Corrêa servidor da prefeitura e assessor de Paolicchi responsável pela conta onde foi depositado o dinheiro desviado a ação corre em sigilo de Justiça. Por isso, não poderia chegar nas mãos de pessoas sem envolvimento direto com o caso.
Mas não é o que está ocorrendo. Enquanto a ação estava restrita aos órgãos como Justiça, Câmara e prefeitura, ela continuava em sigilo. Além desses órgãos, apenas as partes tinham acesso às cópias.
Na ação são citados nominalmente os beneficiários da maior parte dos 116 cheques emitidos da conta de Corrêa no Banco do Brasil, entre 2 de dezembro de 1998 e 23 de março do ano passado. São empresas e pessoas que não podem ter os nomes revelados porque estão garantidas pelo sigilo de Justiça. A cópia da ação traz também a relação dos 46 cheques da conta da prefeitura, na Caixa Econômica Federal. Os cheques eram emitidos nominais à própria prefeitura, com contra-ordem para destinação para a conta de Corrêa.
Da conta dele saíram 116 cheques listados na ação, boa parte citando os beneficiários. O próprio Paolicchi recebeu 17 cheques, que totalizam R$ 487 mil. Os outros 99 cheques foram para pessoas conhecidas em Maringá e empresas, algumas de nível nacional. Um cheque de R$ 34,8 mil, emitido em 5 de janeiro de 1999, está nominal a um doleiro de Londrina, já citado como beneficiário do esquema de Paolicchi na auditoria interna da prefeitura.
Alguns cheques saíram da conta nominais ao próprio Corrêa, ou a uma das empresas de Paolicchi na região. O que chama a atenção é que a grande maioria dos valores são inteiros, sempre superiores a R$ 5 mil. Entre os 116 cheques emitidos pelo assessor de Paolicchi, apenas 29 possuem valores em centavos. A cópia da ação detalha também os desvios a cada mês.
No primeiro mês levantado, dezembro de 1998, foram desviados da prefeitura R$ 622.100,00. Em janeiro de 1999 o desvio foi de R$ 912.227,00, chegando a R$ 891.100,00 em fevereiro e R$ 182 mil em março. No total, os desvios somam R$ 2.607.427,00.
A ação mostra também que a investigação do desvio foi desencadeada depois de constatada a evolução do patrimônio de Paolicchi. O ex-secretário, que recebia salário médio de R$ 4 mil, acumulou bens muito acima do compatível com o rendimento.
Apenas os bens de Paolicchi indisponibilizados pela Justiça 10 fazendas, uma mineradora, veículos e uma aeronave Lear Jet estão avaliados em R$ 15 milhões. Junto com ele e Corrêa, respondem a ação por peculato, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de quadrilha os servidores Jorge Aparecido Sossai e Rosimeire Castelhano Barbosa. Paolicchi está com a prisão preventiva decretada desde o dia 17 de outubro, mas continua foragido.
O desvio total levantado até agora pela Justiça já chega a R$ 3,1 milhões. Os R$ 549 mil de diferença foram encontrados na conta do prefeito afastado, Jairo Gianoto (PSDB). O prefeito foi incluído na ação por improbidade administrativa proposta pelo MP. Hoje o Centro de Apoio às Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público, de Curitiba, oferece denúncia-crime contra Gianoto.


