Curitiba - O tentente-coronel Valdir Copeti Neves iniciou sua guerra pessoal contra o delegado Ricardo Noronha há 13 anos, depois de ter sido acusado de tortura contra as supostas mandantes do assassinato do garoto Evandro Ramos Caetano, de 7 anos, num ritual de magia negra. A mulher do ex-prefeito de Guaratuba, Celina Abagge e a filha do casal, Beatriz Abagge, foram acusadas na época de ''Bruxas de Guaratuba'' e confessaram publicamente o crime. Na defesa delas, consta a declaração emocionada de que foram vítimas de tortura. Os autores teriam sido Neves e sua equipe do Grupo Águia.
Todos os acusados do crime que chocou a população paranaense em 1992 ela e outras cinco pessoas contam que passaram por sessões de tortura que incluiria choques elétricos, afogamentos em vasos sanitários, surras, ameaças de morte e estupro. Noronha foi um dos delegados que investigou o caso e teria ouvido atentamente os depoimentos das Abagge, anotando as declarações dada por elas. Foi chamado como testemunha e teria aceitado o convite, mesmo diante dos pedidos de Neves que nega ter cometido qualquer ato de tortura contra elas.
Um ano depois, Neves participou da operação em Campo Bonito, na Fazenda Santana, que resultou na morte do líder sem-terra Diniz Bento da Silva, conhecido como ''Teixeirinha''. O caso teve repercussão internacional e ocorreu em março de 1993. Nas duas oportunidades, Neves era homem de confiança do então governador Roberto Requião (PMDB) e assumia cargos importantes dentro da Polícia Militar. A família de Teixeirinha conseguiu na Justiça indenização pela morte do líder sem-terra no confronto com a PM. O governo foi condenado a pagar R$ 682,8 mil de indenização a Lúcia Mainko (viúva) e uma pensão mensal de R$ 580 até 2012. A Procuradoria Geral do Estado (PGE) recorreu da decisão.
O advogado criminalista Cláudio Dalledone Júnior nega que Neves tenha sido o autor dos disparos contra Teixeirinha. Em entrevista coletiva, ele desafiou o secretário Luiz Fernando Delazari a apresentar as provas que ligariam a morte de Teixeirinha ao seu cliente. Delazari citou Neves como autor do crime para a imprensa e em depoimento a senadores e deputados federais da CPMI da Terra. (L.P.)

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