Copel teve gestão irresponsável, acusa CPI
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quarta-feira, 12 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel), dirigida durante oito anos por Ingo Hubert que também acumulava o cargo de secretário de Estado da Fazenda foi mal administrada no governo Jaime Lerner (PSB). Essa é principal conclusão do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou irregularidades em contratos feitos na administração anterior. Ontem, os quatro subrelatores da CPI apresentaram as conclusões dos trabalhos para os componentes da comissão. Todo o material foi encaminhado para a assessoria jurídica, para uma perícia técnica. Depois, serão compilados pelo deputado estadual Ratinho Júnior (PPS), relator da CPI da Copel.
Um dos relatórios mais contundentes foi apresentado pelo deputado estadual Tadeu Veneri (PT), subrelator de créditos tributários. Ele avaliou todos os pedidos feitos de compra de créditos tributários. Foram consideradas graves as transações com a massa falida da Olvepar e com a Associação dos Diplomados em Administração e Economia da Universidade de São Paulo (Adifea).
A Adifea foi contratada para fazer um relatório sobre os créditos tributários da Copel junto ao governo do Estado. ''Apontamos irregularidades na contratação da Adifea. Ela não poderia ter sido contratada sem licença de licitação porque não é uma empresa com o título de utilidade pública. Ela também não poderia ter terceirizado os serviços. O contrato não permitia uma subcontratação'', apontou Veneri. A Adifea repassou o dinheiro que recebeu da Copel, cerca de R$ 16 milhões, para a Empresa Brasileira de Consultoria (Embracon) verdadeira responsável pelo trabalho. Além disso, a própria Copel já tinha um estudo semelhante feito por funcionários da estatal.
No caso da Olvepar, várias irregularidades também foram detectadas. Dentre as quais, a própria compra dos créditos da massa falida pela Copel. ''Foram erros sucessivos. Os créditos não deveriam ser comprados. Uma vez comprados, o valor teria que ser recolhido para a empresa falida. No entanto, ele foi distribuído para empresas de informática do Rio de Janeiro e uma agência de turismo'', relatou Veneri. O deputado pede o indiciamento de todos os ex-diretores da Copel, indisponibilidade de bens das empresas que receberam os recursos da estatal e tomada de depoimento, pelo Ministério Público (MP) federal da funcionária do Tribunal de Contas (TC), Desirée Fregonese, e do conselheiro Heinz Herwig. Os dois teriam facilitado as transações irregulares, com a emissão de parecer ''em tese'' que garantiriam as operações.
A Folha tentou contato com Ingo Hubert, para comentar as conclusões dos deputados, mas não foi localizado em sua residência em Curitiba. O conselheiro do TC, Heinz Herwig, está em viagem e não foi encontrado pela Folha. Ele está num encontro anual de conselheiros de tribunais de contas. Desirée Fregonese também não foi localizada.


