Na sexta-feira passada, o governador Roberto Requião (PMDB) se disse descontente com supostos ''problemas de gestão'' na parceria entre a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) e a Sercomtel. Anteontem, foi a vez do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), descartar qualquer mudança nos setores administrativo e financeiro da empresa, cuja acionista majoritária é a administração municipal. Em assembléia ontem à tarde, o tom conciliador entre os representantes de cada acionista foi selado com a proposta de criação de uma nova diretoria, de ''expansão de negócios'' a qual pode receber a média salarial de R$ 9 mil líquidos e mensais paga hoje aos demais diretores.
Participaram do encontro o presidente da Sercomtel, João Rezende, e o diretor de Gestão da Copel em Curitiba, Luiz Antonio Rossafa. Cada empresa possui 55% e 45% das ações da companhia, respectivamente, da transação efetivada em 1998 durante os governos de Jaime Lerner (PSB), no Estado, e Antonio Belinati (PSL), na prefeitura. Rossafa minimizou as declarações dadas por Requião à rádio Paiquerê AM de Londrina, ocasião em que o peemedebista pediu uma auditoria na Sercomtel. No mês passado, um fax da Copel pedia a Rezende a nomeação do ex-vereador Leonilso Jaqueta (PMDB) para a diretoria financeira, hoje acumulada com a de administração pelo funcionário de carreira Luiz Shiroma.
Na assembléia de ontem, desde o início da coletiva de imprensa, Rossafa fez questão de afastar a auditoria das conversas mantidas com Rezende. Segundo ele, o encontro teria servido mesmo para resolver o desgaste que diz ter surgido desde as declarações do governador. ''A diretoria da holding se reúne semanalmente e é rotina pedir auditoria em qualquer das 17 coligadas nossas. Creio que o episódio aqui foi supervalorizado'', considerou. Conforme o diretor, a nova diretoria proposta será discutida em Curitiba com a chefia da estatal. Se ela resolve os ''confrontos tornados públicos'' nos últimos dias? ''Vai depender se esse cargo tem ação executiva, pois os que detemos hoje praticamente não têm'', avisou.
Cauteloso, Rezende evitou falar em intervenção política do Governo dentro da Sercomtel, apesar de ela possuir uma auditoria própria. ''É um direito de acionista que ele tem, mas a gestão majoritária ainda é nossa'', enfatizou, ressalvando em seguida que a discussão ''é de negócios, não política''. Na avaliação do presidente da telefônica, a assembléia que ficou em aberto ontem teve um bom resultado preliminar. ''Há a possibilidade de darmos mais essa diretoria, e logo nos reunimos de novo para tratar do assunto'', concluiu.
Presidente estadual do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA-PR) desde 2000 e líder do fórum que impediu aprivatização da Copel, em 2001, Rossafa confirmou que a auditoria, feita por uma empresa privada, deve começar em 15 dias. ''A licitação já está na fase final, no nosso jurídico. Logo sairá a ordem de serviço'', comentou. Sobre as críticas de Rezende de que a parceria não estaria rendendo privilégios à Sercomtel ele citou gastos de R$ 5,37 milhões, em 2004, com serviços prestados pela Copel , o diretor foi taxativo, mas não definitivo: ''Uma sociedade não é uma troca de favores, mas um pacto de negócios que não podem dar prejuízo. Mas um grupo de trabalho vai revisar pontos como esse no relacionamento dos parceiros''.

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