Copel sabia que Youssef assessorava Olvepar
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sábado, 22 de fevereiro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Companhia Paranaense de Energia (Copel) sabia que o doleiro Alberto Youssef estava envolvido nas negociações de compra de créditos tributários da empresa Olvepar antes de depositar a terceira parcela do pagamento de R$ 39,6 milhões. A estatal adquiriu créditos no valor total de R$ 45 milhões com um deságio de 12%, em três pagamentos de R$ 13,2 milhões. Os valores foram depositados nos dias 6, 13 e 20 de dezembro. Depois de pagar a segunda parcela, a Copel soube que Youssef acompanhava os representantes da Olvepar, mas mesmo assim o pagamento foi autorizado pela presidência e pela diretoria da empresa.
De acordo com a versão da Copel, a última parcela foi paga porque a operação era legal, já que a estatal estava depositando os valores para a Olvepar, e não para Youssef. A Olvepar teve falência decretada em agosto de 2002. Mas a investigação que está sendo feita pelo Ministério Público (MP) estadual vai apurar se a diretoria da estatal tinha conhecimento de Youssef desde o início da operação. O MP também investiga outras supostas operações irregulares da Copel, que podem ter gerado um rombo de cerca de R$ 80 milhões.
A atuação do ex-presidente da Copel Ingo Hubert, que acumulava também o cargo de secretário de Fazenda na gestão do governador Jaime Lerner (PFL), está sendo analisada. Ele já depôs sobre o assunto ao MP. A estatal utilizou os créditos adquiridos para quitar dívidas junto ao governo estadual. O MP investiga se também ocorreu desvio de dinheiro. Análises feitas pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), que também investiga o caso, indicam que a Secretaria da Fazenda deu baixa na dívida, mas o dinheiro não teria entrado nos caixas do governo.
A Copel tem documentos que comprovariam que a operação que fez tinha amparo legal. Entre eles, um parecer do conselheiro Heinz Herwig, do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e um da Receita Estadual, reconhecendo os créditos da Olvepar. Mas um funcionário do alto escalão da Receita, que atuava durante as operações, afirmou que o órgão era contrário à operação, mas ela foi autorizada por ordens superiores, que seriam do secretário da Fazenda.
Youssef participou de pelo menos duas reuniões na sede administrativa da Copel, nos dias 6 e 13 de dezembro de 2002. A reportagem não confirmou se ele também participou de alguma reunião no dia 20, como publicado equivocadamente ontem. Youssef acompanhava Luiz Sérgio da Silva e o advogado Antônio Carlos Fioravante Pierruccini, representantes da Olvepar, e não teria sido reconhecido pelos funcionários da Copel. Luiz Silva e Pierruccini tinham procuração da Olvepar para cuidar da operação dos créditos tributários. O documento foi assinado pelo advogado da massa falida da Olvepar, José Célio Garcia, que havia afirmado à reportagem que desconhecia qualquer negociação com a Copel. Garcia também prestou depoimentos ao MP.
Um funcionário da Copel e o advogado Pierruccini, acompanhado de Youssef, foram a uma agência do Banco do Brasil nos dias 6 e 13 de dezembro, para efetivar o pagamento. A presença de um representante da Copel era fundamental para endossar os cheques, já que os valores pagos eram muito altos. No dia 13 de dezembro, um funcionário do banco reconheceu Youssef, suspeito de participar de esquemas de lavagem de dinheiro através do Banestado. Ele informou o caso à gerência, que dias após tratou do assunto com a Copel. Isso foi antes de ser efetivado o último pagamento, em 20 de dezembro. O funcionário teria feito a declaração em depoimento.
Luiz Silva é sócio-presidente da Rodosafra Transportes e Logística, que arrendou terminais da Olvepar (que era esmagadora de soja) no Paraná e em Santa Catarina antes da empresa entrar em falência. A Rodosafra é credora da Olvepar e recebeu R$ 3,2 milhões dos R$ 36,9 milhões pagos pela Copel na operação.


