Se depender da Copel, os 45% de ações adquiridos da Prefeitura de Londrina, em 1998, não devem passar de 10 anos sob seu comando. A previsão é do presidente da estatal, Rubens Ghilardi, que anunciou ontem prazo de seis meses, a partir do mês que vem, para avaliação de mercado e venda do percentual que a companhia detém na telefônica.
Em entrevista à FOLHA ontem, Ghilardi confirmou que a última reunião de acionistas da Copel, no final de novembro, definiu pela necessidade de venda como forma de se evitar que prejuízos registrados na Sercomtel Celular continuem afetando o balanço da empresa. Por outro lado, salientou, o interesse é na venda conjunta - Fixa e Celular - como forma de angariar valor mais atrativo na negociação com um grupo privado.
De acordo com Ghilardi, porém, eventual venda da telefonia móvel que venha a ser conduzida pela Prefeitura pode mudar os planos da estatal de se desfazer também de sua participação na Fixa, que hoje abocanha pelo menos 90% do mercado londrinense.
''O levantamento de quanto o grupo vale, para depois colocar nossa parte à venda, é uma primeira avaliação que fizemos. Se (a Prefeitura) quiser vender só a Celular, vamos avaliar novamente'', disse, para ressalvar: ''Mas em seis meses, no máximo, a venda está definida por parte da Copel''. Indagado se eventual privatização nesse período corre o risco de ter o debate impregnado pelo viés político - outubro é mês de eleições -, Ghilardi minimizou: ''Tenho certeza que sim, mas isso em Londrina, e não conosco''.
O presidente da Copel confirmou a informação que dominou ontem os bastidores da Câmara - vereadores do grupo de estudos que se reuniram com ele, anteontem, disseram que a compra da Fixa só poderia ser feita pela Brasil Telecomum (BrT), que detém a concessão na região Sul. Alguns dos edis, inclusive, chegaram a falar em venda direta à BrT pelo fato de que ela teria preferência de venda. ''A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) nos informou que, pela Lei Geral das Telecomunicações (LGT), a preferência na privatização é das regionais. A BrT teria esse direito, mas nada impede que façamos uma consulta de preços com outras três ou quatro operadoras'', explicou Ghilardi.
A assessoria da BrT, em Brasília, informou que a hipótese de compra de ações da Sercomtel ''só será analisada a partir do momento em que puserem a empresa à venda''. Por outro lado, o grupo citou que, para a região de Londrina, pela LGT e pelo Plano Geral de Outorgas das concessões, a preferência seria tanto da BrT quanto da CTBC, do Triângulo Mineiro.
O presidente da Sercomtel, Gabriel Ribeiro de Campos, também comentou uma possível preferência de venda à BrT. Cauteloso, Campos fez questão de salientar que ''há o entendimento de que uma empresa permissionária, por exemplo, também pleiteie direito de compra''. ''Se outra empresa pedir autorização para comprar, o marco regulatório vai ser considerado e a Anatel é que vai dar a palavra final.'' Conforme ele, a administração não vê com preocupação a possibilidade de um parceiro privado na Fixa. ''Porque a Sercomtel atua em um mercado predominantemente privado, e porque o sócio majoritário ainda é a Prefeitura'', resumiu.
Já por parte do sindicato que representa os funcionários da telefônica, o Sinttel, o anúncio de venda feito pela Copel repercutiu superficialmente. ''A decisão de vender ações cabe à Copel; legalmente, não precisa de qualquer autorização de funcionário para isso'', declarou o diretor regional da entidade, João Henrique Schimidt.

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