Copel quer participar mais da gestão da Sercomtel
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Maior participação e poder de decisão nas questões corporativas, redução de sete para cinco diretorias e também em despesas de custeio para conter uma situação que seria já de crise. Essas foram as principais alternativas apontadas por representantes do alto escalão da Copel presentes ontem em Londrina à possibilidade de venda dos 45% adquiridos em 1998. Ao todo, o futuro da telefônica e da parceria entre a companhia energética e a Prefeitura Municipal foi tema de dez horas de reunião - sete delas na sede da empresa e três na Câmara de Vereadores.
A manifestação veio do diretor de Finanças e Relações com Investidores da Copel, Paulo Trompczynski, acompanhado de um advogado e de uma engenheira da estatal. Na Sercomtel, eles debateram e aprovaram, junto aos três diretores indicados pela companhia, na telefônica e no Conselho de Administração (Cad), o planejamento estratégico do biênio 2008/2009 e o orçamento do ano que vem.
No Legislativo, a comitiva se reuniu com vereadores membros ou não do grupo de estudos que, há quase dois meses, analisa a viabilidade da Sercomtel Celular. O diretor de Finanças preferiu que a conversa se desenvolvesse na sala da Presidência com os vereadores, mas, após pressão de um grupo de funcionários da empresa de telefonia presentes nas galerias, com faixas, a reunião acabou aberta a representantes deles e também à imprensa.
Em mais de uma ocasião, Trompczynski fez questão de mencionar que a venda dos 45% de ações, constante em ata da última reunião do Cad da Copel, mês passado, não fora uma determinação, mas a recomendação de um acionista - ao todo, são sete - que ''sempre se posiciona pela venda dos parceiros que fogem do foco de atuação da Copel''. Adiante, o diretor ressalvou: como atualmente o panorama seria de ''crise'' na parceira de Londrina, a adoção de medidas que venham a contornar ou mesmo reverter o problema derrubariam a hipótese de venda. Em janeiro a estatal contratará consultoria para avaliar o preço de mercado da Sercomtel e as perspectivas futuras, mas, segundo Trompczynski, nesse meio tempo ''de quatro a seis meses'' a recomendação do Cad poderá ser confrontada com ações de saneamento.
''Se medidas saneadoras emergenciais e mais outras apontadas reverterem esse quadro, e se em termos de negócio e de investimento a Sercomtel se revelar viável, não teríamos motivos para efetuar a venda'', disse, lembrando em seguida que a atenção quanto ao futuro da parceria se justifica ''até pelo alto valor que foi pago no passado''. Os R$ 198 milhões dispendidos em 1998, atualizados, estariam hoje na casa de R$ 1 bilhão.
O diretor declarou ainda que, no ''meio tempo'' pretendido pela Copel, será analisada também se o prejuízo de mais de R$ 12 milhões que a telefônica rendeu aos balanços da estatal, em 2006, são fruto de suposta má administração. ''Ainda não temos dados suficientes para afirmar, mas posso dizer que, se a empresa não vai bem, ou é má gestão, ou alteração substancial no comportamento do mercado não prevista pela administração.'' Após a coletiva de imprensa, o diretor admitiu: quase dez anos depois do início da parceria, ''falta diálogo entre os acionistas''. ''Por isso, estaremos aqui permanentemente para cuidar dessa parceria, e por isso pedimos a revisão do acordo de acionistas, que ainda é de 1998. Afinal, 45% não são pouca coisa e falta sinergia nos atos de gestão'', alegou.
O prefeito Nedson Micheleti (PT) não quis se manifestar. O presidente da Sercomtel, Gabriel Campos, conversou rapidamente com o diretor, ontem à tarde, e disse que aguardará a formalização das propostas da Copel para então avaliá-las. ''Mas discordo da falta de diálogo, tanto que os diretores todos se reúnem formalmemte de 15 em 15 dias'', comentou.


