Copel perdeu com contrato
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terça-feira, 13 de maio de 2003
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A engenheira Carla Rosângela de Oliveira, funcionária da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), disse ontem aos deputados da CPI instalada pela Assembléia Legislativa que a empresa Tradener recebia até o final do ano passado uma média de 4,86% de comissão de toda a energia do Paraná comercializada em outros estados brasileiros. Mesmo que a intermediária nas negociações de compra e venda de energia fosse a própria Copel. Até o final do ano passado, em pleno governo Jaime Lerner (PFL), a Tradener já havia recebido dos cofres públicos mais de R$ 13,8 milhões. ''Legalmente a Copel tinha condições de atuar no mercado, sem a intermediação da Tradener. Essa empresa foi criada para ganhar um percentual em tudo quanto participava'', afirmou ela, em depoimento à CPI da Copel.
A Tradener foi criada com base na Lei Estadual 11.740,97, que autorizou a Copel a formar parcerias para ampliar suas atividades. Tem como sócios majoritários as empresas DWG e Logos Engenharia (55% das ações) e a própria Copel (que detém 45% das ações). O capital inicial era de apenas R$ 10 mil. Foi firmado um contrato, sem qualquer tipo de concorrência pública, concedendo com exclusividade para a Tradener o direito de vender todo o excedente de energia da Copel por um prazo de 20 anos. Em tese, o contrato não pode ser cancelado, sob pena de pagamento de multa no valor de R$ 20 milhões.
Desde janeiro deste ano, os repasses dos valores correspondentes à venda de energia elétrica da Copel para a Tradener foram interrompidos, com a posse de Roberto Requião (PMDB). Cálculos do governo do Estado revelam que cerca de R$ 42 milhões deveriam ser pagos para a empresa nos próximos anos por causa de negócios já fechados. Segundo Carla Rosângela de Oliveira, os responsáveis diretos pela criação da Tradener dentro da Copel foram Ingo Hubert (então presidente da companhia) e Mário Bertoni (ex-diretor de Participações). ''Está claro que a Tradener foi criada com interesses que não os da Copel. A Copel só levou prejuízos. Na hora dos benefícios, os sócios privados eram beneficiados'', reforçou Marcos Isfer (PPS), presidente da CPI.
O caso Tradener ainda não está concluído pela CPI. O relator da comissão, deputado Vanderlei Iensen (PDT), solicitou a cópia de acordos jurídicos e extrajurídicos realizados pela Copel nos últimos oito anos, e outras informações como valores de despesas com fretes de jatos e relação de custos da reformas dos prédios da companhia. Na quinta-feira, deverão ser ouvidos na CPI da Copel o ex-assistente da presidência da Copel e um dos representantes da Tradener, Valfrido Ávila, e a advogada da Copel, Hortênsia Tardeli, que não compareceu a uma das convocações da comissão, na semana passada.


