Copel perde disputa pelo lote 7 no leilão das rodovias
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terça-feira, 09 de outubro de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Copel perdeu ontem a disputa pelo lote 7 de rodovias federais para o grupo espanhol OHL no leilão que aconteceu na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A estatal disputou com outras 16 empresas o trecho Curitiba-Florianópolis que envolve as BRs 116, 376 e 101. Segundo informações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), este foi o trecho mais disputado do leilão considerando o número de concorrentes. De acordo com as regras do leilão venceria quem oferecesse o preço de pedágio mais barato para o trecho. A OHL fez uma proposta de R$ 1,028 por praça e o preço máximo para esta rodovia era de R$ 2,754. A estatal paranaense entrou sozinha no leilão através da Copel Empreendimentos Ltda e ofereceu uma proposta de R$ 1,950 - sexto menor preço.
A OHL ficou com os três trechos que cortam o Paraná: Curitiba-São Paulo (BR-116) com valor de R$ 1,364; Curitiba-Florianópolis e Curitiba até a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul (BR-116) com valor de R$ 2,54.
O governo do Estado não quis comentar o resultado do leilão. Ontem, o governador Roberto Requião (PMDB) viajou para Nova Iorque para o Fórum das Américas juntamente com outros sete governadores.
Quando o governo do Estado anunciou que a Copel disputaria trechos de rodovias federais, as ações da estatal iniciaram um ritmo de queda na Bovespa. Ontem, as ações preferencias fecharam em R$ 31,42 com alta de 5,5%. As ações ordinárias, encerraram o dia em R$ 29,80 com alta de 2,22%. A bolsa terminou o pregão com alta de 1,42%.
Outras duas empresas paranaenses tinham apresentado ofertas para participar do leilão: a Ecorodovias, controlada pelo grupo CR. Almeida e o grupo J.Malucelli. Esta última companhia, tinha intenção de disputar o lote 2 de 412,7 km que vai de Curitiba a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul.
A Ecorodovias, controlada pelo grupo CR. Almeida disputou os sete trechos de rodovias leiloados. Nenhuma das empresas paranaenses conseguiu arrematar lotes no leilão.
Inicialmente, a Copel estudava disputar também os lotes 2 e 6 do leilão, pela ordem, a BR-116 de Curitiba até a divisa de Santa Catarina com Rio Grande do Sul, e a BR-116 de Curitiba até São Paulo.
No último dia 2, no entanto, o Conselho de Administração da Companhia decidiu que o foco e as atenções deveriam ficar concentrados unicamente no lote 7, entendido como sendo ''o de maior viabilidade técnica e econômica'' dos três, conforme demonstraram os estudos conduzidos pela empresa.
Justiça
Na segunda-feira, a 3 Vara da Justiça Federal de Curitiba concedeu liminar impedindo o leilão nos três trechos que passam pelo Paraná. O pedido foi do Ministério Público Federal. Ontem, o Tribunal Regional Federal da 4 Região cassou a liminar e autorizou o leilão.
O MPF do Paraná vai insistir na anulação do leilão nos três trechos vencidos pela OHL. ''Haverá recurso à Corte Especial do TRF para ver se conseguimos derrubar a suspensão da liminar'', disse o procurador regional Elton Venturi. ''E ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal.'' Ele afirmou que, ao propor a ação o MPF tinha consciência de que, mesmo ganhando em primeira instância, (a liminar), ''dificilmente se sustentaria''. ''A força política é muito grande.''
Para ele, o maior problema é a não existência de projetos de obras estruturais. ''É fácil apresentar um preço de tarifa para vencer o leilão, porque as concessionárias sabem que em dois, três, ou quatro anos, haverá necessidade de obras não previstas, aí ela vai dizer que fará desde que haja equilíbrio econômico-financeiro do contrato administrativo.'' Segundo ele, o MPF questiona a forma como está sendo feita a concessão.


