Copel pede avaliação de mercado da Sercomtel
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Se antes dependia de um parecer da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), agora a possibilidade de estadualização da Sercomtel pode depender é do valor de mercado da empresa. A pedido da Copel, sócia com 45% das ações, o grupo londrinense realiza na semana que vem duas assembléias de acionistas, em caráter extraordinário, nas quais será discutida a contratação de uma consultoria especializada para avaliação da telefônica.
O assunto consta de dois editais publicados ontem na imprensa. Neles, a convocação para as assembléias é feita pelo presidente do Conselho de Administração da Sercomtel, Francisco Moreno. No dia 26, a reunião debaterá a contratação de consultoria para avaliar a telefonia fixa, às 14 horas, na sede da empresa no Jardim Aeroporto (Zona Leste). No mesmo dia, às 15 horas, a mesma discussão será feita em relação à Celular.
Pelo que a FOLHA apurou, a publicação provocou alvoroço entre os funcionários da empresa, ontem, diante da possibilidade de venda. O presidente do Conselho de Administração e o presidente da telefônica, Gabriel Ribeiro de Campos, estavam ontem com os celulares desligados. Em memorando interno, a direção informou que a avaliação da consultoria ''vai dar instrumentos à decisão da Copel'', que, em abril, recebeu da Prefeitura a proposta de venda de 10% dos 55% de ações que ela detém. Junto com a oferta, a administração ainda entregou à estatal um estudo que apontara viabilidade técnica, comercial e jurídica na transação.
Já naquela ocasião, tanto o presidente da Sercomtel quanto o prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmaram, mais de uma vez, que qualquer análise de valor de mercado da empresa só seria feita diante de eventual resposta positiva da Copel. Desde então, a companhia alega que isso só aconteceria após os resultados de uma consultoria contratada por ela para estudar a viabilidade, bem como o de uma consulta formulada à Anatel sobre a troca de comando acionário.
No memorando de ontem, foi noticiado que a ''Copel pediu a avaliação'' a fim de embasar ''seu parecer sobre a estadualização da Sercomtel''.
O vice-presidente da telefônica, Oscar Bordin, confirmou que o pedido da estatal veio já há cerca de duas semanas. Ao mesmo tempo, sinalizou que o preço pode influenciar a decisão de compra. ''A análise deles é um processo demorado, e a Copel precisa saber quanto a Sercomtel vale, até pela disponibilidade de recursos'', disse. ''E é normal a companhia fazer esse pedido, ela deve ter razões para isso'', completou.
Questionado se não há riscos no fato de a Sercomtel bancar custos elevados de uma consultoria especializada sem que sequer a Anatel tenha, ainda, se poscionado, Bordin minimizou: ''É difícil falar sobre isso - só a diretoria de Finanças e Relações com Investidores (da Copel) poderia se manifestar a respeito''.
O diretor da área, Paulo Trompczynski, não foi localizado para comentar o assunto. Segundo a assessoria de imprensa da Copel, ele estaria em viagem.


