Copel passa por processo de desverticalização
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terça-feira, 03 de julho de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) se prepara para a desverticalização. Na prática, a intenção da atual diretoria é agrupar numa única empresa todas as subsidiárias criadas no governo Jaime Lerner (PSB) com vistas na privatização da estatal. A idéia está sendo colocada em prática de maneira discreta. Uma circular - que a reportagem da FOLHA teve acesso com exclusividade - , começa a concentrar os poderes de todas as pequenas diretorias internas das subsidiárias dentro da Copel Holding. Chamada de Circular nº 22, o relatório interno propõe um novo Realinhamento da Estrutura Organizacional da Copel e já teve aprovação do Conselho de Administração (CAD).
O presidente da Copel, Rubens Ghilardi, confirmou à FOLHA ontem que a estatal passa por uma fase de centralização de poderes. ''Iniciamos o processo de desverticalização das cinco empresas da Copel através dos órgãos meio. Ou seja, pela estrutura financeira que estará agora sendo gerida pela holding. Foi apenas isso que fizemos: juntamos todas as áreas meio numa única empresa'', enfatizou. A circular extinguiu desde o dia 1º de junho as superintendências de Meio Ambiente e Assuntos Fundiários, diretoria de Gestão Corporativa, Departamento de Administração Imobiliária, diretoria de Finanças e de Relações com Investidores e a Coordenação de Tarifas da Copel Geração e Transmissão de Energia e de Telecomunicações.
Todos os órgãos ficam, segundo a circular, ligados à presidência. ''Não vejo concentração de poderes com isso nas mãos de uma única pessoa. O presidente da holding já era também o presidente das subsidiárias. O que muda é que as superintendências que administravam as subsidiárias deixam de existir'', explicou Ghilardi. A assessoria da Presidência para Assuntos Regulatórios terá mais poderes e acompanhará todas as diretorias envolvidas no relacionamento da Copel com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Ministério de Minas e Energia, Operador Nacional do Sistema Elétrico e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica; e acompanhará os projetos de lei de interesse da Copel nos legislativos estadual, federal e municipais.
A circular determinou ainda que fossem realizadas adequações no Estatuto da Copel e das subsidiárias integrais para que o realinhamento organizacional fosse realizado. ''A circular é uma articulação inicial para fazermos o que queremos que é a centralização dos atos numa mesma presidência - evitando até que hajam desvios de conduta por parte de diretores de subsidiárias'', enfatizou ele. Duas subsidiárias já foram, na prática, incorporadas (apesar de existirem ainda no papel): Copel Transmissão e Copel Participações. A presidência estuda formas de incorporar na holding a Copel Telecomunicações - mas os estudos ainda estão no campo jurídico.
''A Copel foi a única do Brasil que verticalizou. Não tem sentido pagar CPMF em cada transação bancária porque as empresas são diferentes, mesmo sendo a mesma na prática. A idéia é fazer com que 100% das subsidiárias fiquem na holding. Havia justificativa da verticalização no governo Lerner - que queria vender a empresa por pedacinhos. Não existe motivos para continuarmos com ela assim'', declarou ele. A única subsidiária que não será incorporada, por exigência legal, é a Copel Distribuição. Ghilardi explicou que a empresa tem 8,5 mil funcionários - que não serão demitidos. A idéia é fazer um remanejamento para outras áreas de interesse da empresa.


