Curitiba - A empresa norte-americana El Paso, sócia majoritária da Usina Elétrica a Gás (UEG) de Araucária com 60% do total de ações, foi apontada ontem, durante sessão da CPI da Copel, como a principal responsável pelos erros iniciais no projeto de construção da termelétrica, na Região Metropolitana de Curitiba. A instalação e operação da usina previam investimentos de US$ 300 milhões.
Mas a compra de uma turbina não compatível com as especificações do gás da Bolívia, utilizado para a geração de energia, alterou os valores. O mau negócio gerou um gasto adicional de US$ 40 milhões, porque precisou-se adquirir um conversor de gás em energia elétrica. O ônus da compra foi arcado pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), sócia que detém 20% das ações.
''A El Paso era a sócia que tinha a responsabilidade de trazer experiência de construção de térmicas para o Brasil. Ela é que sabia como fazer uma termelétrica e detinha essa tecnologia'', afirmou o engenheiro elétrico Ricardo José Dória, coordenador dos grupos de estudos da Copel sobre a formação da UEG, durante o seu depoimento aos deputados da CPI.
Ele contou ainda que um novo contrato de risco foi firmado entre as sócias. A Petrobras era uma delas e detinha outros 20% de ações. No entanto, todo o risco da UEG era de responsabilidade da Copel que era obrigada a pagar uma tarifa básica de energia de US$ 40,00 por megawatt/hora (mw/h) mesmo que não consumisse a energia produzida pela usina. O valor anual do novo contrato é de R$ 450 milhões.
''Hoje temos uma sobreoferta de energia, o que faz com que o valor do mercado seja baixo. Nessas condições, podemos afirmar que o contrato se tornou um mau negócio para a Copel'', disse Dória. O Mercado Atacadista de Energia (MAE) paga atualmente cerca de R$ 4,00 por mw/h. No contrato original, a Copel repassaria US$ 29,00 por mw/h.
A Copel ainda teria dado aportes financeiros para UEG Araucária nos valores de R$ 3,1 milhões e R$ 1,2 milhões nos meses de outubro e dezembro. De setembro a dezembro do ano passado, outros recursos foram repassados e não explicados nos balancetes da empresa, num total de R$ 73,9 milhões. Outros R$ 12 milhões foram usados para a compra de componentes para o almoxarifado da UEG e R$ 400 mil para equipamentos.
A Copel era a sócia responsável ainda pelo pagamento do seguro que é de US$ 5 bilhões. ''Esse valor é mais alto do que o seguro da Itaipu'', disse o deputado estadual Marcos Isfer (PPS), presidente da CPI da Copel. Dória confirmou o pagamento do seguro e dos aportes financeiros. De acordo com ele, o contrato prevendo os riscos da Copel foi referendado por toda a diretoria.
A Folha teve acesso à cópia do contrato, assinado pelo então presidente da Copel e secretário de Estado da Fazenda Ingo Hubert, pelo ex-diretor de Participações da Copel Mário Bertoni (diretor de participações da Copel), Robert Carter (procurador da UEG) e pela advogada da Copel Hortênsia Tardeli. O atual presidente da UEG, Edilson Matos Novak, assinou como testemunha.

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