Copel leva prejuízo em compra de títulos tributários, diz CPI
Curitiba - Um contrato de transferência de créditos tributários entre a Copel e a Máximo Transportes Ltda., de cerca de R$ 45,7 milhões, foi classificado ontem como prejudicial à saúde financeira da estatal. O contrato foi firmado no dia 5 de dezembro de 2000 e teve a assinatura de concordância do então coordenador de gestão contábil da Copel, Cezar Antônio Bordin. A reportagem da Folha tentou contato com Bordin, mas ele não quis falar sobre o assunto. A empresa Máximo não foi localizada.
O crédito tributário negociado poderia ser utilizado no programa de Recuperação Fiscal (Refis) do governo federal. Segundo os dados do contrato pactuado entre as duas empresas, R$ 29,8 milhões do total dos créditos eram referentes a um prejuízo fiscal da mineira Máximo e outros R$ 15,9 milhões vinham da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).
A Copel pagou pelos créditos tributários R$ 6,4 milhões. Cerca de R$ 5,5 milhões foram depositados na conta da própria Máximo Transportes e outros R$ 915,3 mil na conta de Aguirre, Cella & Froner Consultores Associados. ''O grande problema é que estes créditos não tinham liquidez. A Copel está amargando um prejuízo de quase R$ 50 milhões'', afirmou o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), sub-relator de créditos tributários da CPI da Copel. De acordo com ele, a Copel antecipando a liquidez dos créditos negociados chegou a lançar o valor dos créditos como lucro e os dividendos foram distribuídos aos acionistas. A CPI deverá solicitar à Copel todos os contratos feitos para a compra de créditos tributários durante o governo Jaime Lerner (PFL). (L.P.)





