Copel investiu em empresa suspeita
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segunda-feira, 04 de março de 2002
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma das empresas envolvidas nas investigações sobre desvios de verbas na extinta Sudam recebeu R$ 30 milhões em investimentos da Companhia Paranaense de Energia (Copel), por meio de uma lei de incentivos fiscais para projetos agroindustriais no Norte e Nordeste. A Polícia Federal apura denúncias de que a Nova Holanda Agropecuária, com sede no Maranhão, teria recebido R$ 32 milhões da Sudam para investimentos em plantações de soja, tendo desviado parte dessa verba.
A PF chegou até a Nova Holanda após descobrir ligações entre o escritório Lunus, de propriedade da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), e de seu marido, Jorge Murad. O escritório teria adquirido parte das ações da empresa Agrima, que explora calcário no sul do Maranhão e pertence ao mesmo grupo que a Nova Holanda.
O deputado federal da bancada ruralista Abelardo Lupion (PFL-PR) defendeu ontem as duas empresas, vendo uma motivação política no caso. Para ele, as acusações são levianas, mentirosas e estão sendo usadas para denegrir a imagem de Roseana Sarney, levando de roldão o nome de duas empresas íntegras e idôneas.
A Agrima e a Nova Holanda são controladas por um grupo de descendentes de holandeses residentes no Paraná que participaram da criação da indústria de latícinios Batavo. A Nova Holanda é presidida por Lauro Luiz Leone Vianna irmão do diretor de geração da Copel, Luiz Fernando Leone Vianna.
A reportagem da Folha procurou ontem os irmãos Vianna, mas não obteve retorno. Além de receber os R$ 30 milhões da Copel, a Nova Holanda tem um pré-contrato de parceria com a estatal no Consórcio Rio Farinha um projeto que pretende construir duas pequenas centrais elétricas em um rio no Maranhão.


