Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) deve implementar já na próxima semana um ''plano de sucessão'' para cerca de 700 funcionários que já estão aposentados pelo INSS, mas permanecem em seus postos de trabalho. Na prática, significa que a Copel vai definir prazos de demissão. Em entrevista ontem à Reportagem, o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, disse que se trata de uma ''política de sobrevivência'', já que o número de aposentados é considerado alto e poderia representar inclusive ''um risco'' à empresa.
''Imagina se todos eles decidem sair da empresa? Para evitar uma saída em massa, a gente vai estabelecer um prazo de substituição. O prazo é necessário porque os processos de contratação por concurso público, por exemplo, podem levar de seis meses a um ano'', argumentou ele, que preferiu não falar de quais seriam os prazos de demissão estabelecidos pela Copel, embora empresas públicas de porte semelhante, segundo ele, estejam adotando um prazo máximo de um ano em situações do tipo.
Ghilard explica que a decisão foi tomada a partir do ''resultado negativo'' do plano de demissão voluntária, finalizado no último dia 30. Do total de aproximadamente 1 mil funcionários aposentados, cerca de 300 aceitaram o incentivo. ''Foi um número baixo. O risco para a empresa é maior quanto maior for o número de funcionários aposentados'', disse ele, que também saiu em defesa da abertura de novos postos de trabalho. ''Num momento de crise econômica, a Copel estaria abrindo cerca de 700 novas vagas'', defendeu ele.
O presidente do Sindicato dos Empregados em Concessionárias dos Serviços de Energia Elétrica de Curitiba (Sindenel), Alexandre Donizete Martins, disse ontem à Reportagem que os funcionários foram ''pegos de surpresa'' e criticou a decisão da empresa. Martins argumenta que nem todos os funcionários já aposentados pelo INSS terminaram de contribuir para a Fundação Copel, que é uma espécie de fundo complementar para a aposentadoria.
''Duvido que, se demitidos, eles terão dinheiro para continuar contribuindo com o fundo complementar. As empresas geralmente respeitam o período todo de contribuição. É um momento extremamente difícil para as famílias dos funcionários'', protestou ele. O presidente da Copel informou que desconhece o número de funcionários que ainda não terminaram de contribuir para a Fundação Copel, mas acrescentou que a empresa não vai deixar de analisar casos específicos.
Martins considera que o número de demissões representa ''uma parcela significativa de empregados'' e que a Copel terá dificuldades para substituí-los. ''O mercado não produz especialistas assim. São trabalhadores da linha de frente, que têm uma alta bagagem técnica e exercem atividades complexas. A saída deles terá um reflexo direto no dia a dia da empresa'', argumentou ele. Segundo Martins, parte dos aposentados ocupam cargos técnicos, em setores variados da Copel, e obedecem a uma legislação especial de aposentadoria (que reduz a idade mínima para obter o benefício), pois trabalham em postos de risco.
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT) disse ainda temer que a Copel faça no futuro uma ''terceirização dos serviços'', em função do alto nível dos funcionários que serão demitidos. Na segunda-feira, o petista promete apresentar um requerimento na Assembleia Legislativa para obter explicações da Copel sobre o assunto.
O presidente do Sindenel disse que tentou ontem conversar com a direção da Copel, mas que não houve recuo da empresa. ''A decisão foi tomada de um dia para o outro. Está todo mundo em pânico'', comentou ele. Na próxima terça-feira, haverá uma reunião para definir que medidas vão ser adotadas pelo Sindenel na tentativa de abrir negociações com a Copel. Atualmente, a Copel possui 8.405 empregados em todo o Paraná.

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