Copel explica compra de títulos
O presidente da Copel e secretário da Fazenda, Ingo Hubert, disse que a denúncia apresentada na terça-feira pelo deputado Tony Garcia (PPB) não tem nenhum valor jurídico. Durante a sabatina de Hubert na Assembléia Legislativa, Garcia causou tumulto ao declarar que a Copel teria comprado títulos podres por preços acima do valor de mercado. Segundo ele, a estatal pagou R$ 25 milhões pelos títulos e a operação não envolve títulos podres, como sustenta o deputado, e sim créditos fiscais. Ele garante que a denúncia apresentada por Garcia é apenas um documento já cancelado.
O diretor financeiro da Copel, Ferdinando Schauenburg, explicou que a operação publicada no balanço da empresa foi feita em dezembro do ano passado e refere-se ao ingresso no Programa de Recuperação Fiscal (Refis). Ele sustenta que os papéis que o pepebista tem em mãos, assinados por Hubert e datados de janeiro deste ano, tratam-se de uma garantia preliminar que acabou não sendo necessária no decurso da operação e foi cancelada.
Para que pudesse receber os benefícios do Refis, a Copel teve que apresentar ao fisco relação detalhada dos créditos fiscais que estariam sendo adquiridos, entre eles os de titularidade da Lewinston Importadora. Com a operação de compra de créditos fiscais, prevista no Refis, a Copel conseguiu reduzir em R$ 58 milhões uma dívida junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O deputado Tony Garcia disse que vai pedir na Justiça o embargo da privatização da Copel com base nesse e em outros documentos que garante ter em mãos, mas não revela quais são. Ele propôs ainda a criação de uma CPI para investigar a Copel. A bancada do PPS, formada por César Silvestri e Marcos Isfer, apresentou projeto prevendo a manutenção dos sistemas de geração e transmissão de energia com o Estado. Hubert disse que com isso o ágio obtido com a venda sofreria redução, de cerca de R$ 500 milhões no preço final, ainda não fixado. De acordo com Hubert, o valor deve partir dos R$ 4 bilhões de valor patrimonial, podendo ter ágio entre 50% e 100%.
Ingo disse ainda que a situação financeira do Estado é tensa. Segundo ele, há dinheiro em caixa para cobrir as despesas correntes. A dificuldade está na demanda de investimentos em infra-estrutura e desenvolvimento do Estado. Ele admitiu que a venda da Copel vai socorrer as finanças do Estado porque será destinada à capitalização da Paraná Previdência.
Ontem, em Maringá, cerca de mil estudantes e lideranças participaram do protesto contra a corrupção no Estado e a favor do patrimônio público. A venda da Copel e as demissões de professores da rede estadual foram alvos das críticas mais ferrenhas. Em Londrina, palavrões e pouca informação marcaram a manifestação realizada no Calçadão. Boa parte dos alunos desconhecia as razões porque vieram e aproveitaram a manhã sem aulas para um passeio pelo centro. (M.D.)





