Copel e Município divergem sobre exoneração na Sercomtel
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
Edson Ferreira e Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
O prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT) criticou ontem a recomendação do Ministério Público (MP) do Paraná para que o Executivo demita a presidente do Conselho de Administração da Sercomtel, Cristiane Hasegawa. Ela também ocupa cargo comissionado na administração e, para o MP, o acúmulo de cargos públicos é ilegal. Em entrevista à imprensa, Barbosa sugeriu que a recomendação do MP teria sido motivada pela demissão do advogado Claudemir Molina da Diretoria Administrativo-Financeira da Sercomtel. Molina é indicação da Companhia Paranaense de Energia (Copel), sócia minoritário na telefônica com 45% das ações. Segundo o pedetista, é ''estranho'' o fato de a recomendação surgir ''logo depois'' do pedido de exoneração ''da diretoria financeira, cargo indicado pelo PSDB, em acordo com a prefeitura''.
O pedido de exoneração de Molina foi feito pelo prefeito há três dias, mas apenas na manhã de ontem o Conselho de Administração aprovou a saída do diretor, por três votos a dois, já que o município tem maioria no conselho, presidido por Cristiane Hasegawa.
Já Molina defende que sua exoneração foi uma retaliação do município em razão da demissão de Alysson Tobias Carvalho da Diretoria de Participações pela vice-presidente da Sercomtel, Heloísa Pinheiro (indicada da Copel), que assumiu interinamente a presidência enquanto o ex-presidente Roberto Coutinho Mendes estava afastado pela Justiça. No lugar de Carvalho, a Copel indicou Sérgio Milani, um servidor de carreira da Copel. Carvalho, que está preso, e Coutinho são acusados de corrupção por suposta participação em um esquema de compra de apoio de vereadores. ''Minha visão é de que houve retaliação do município'', disse Molina.
Ele, o diretor adjunto da Copel, Luiz Jeremias Aziz, e dois advogados da companhia de energia se reuniram ontem com membros do MP de Londrina. ''Os representantes da Copel queriam tomar conhecimento das investigações sobre ex-diretores da Sercomtel'', resumiu Molina. ''A Copel está preocupada não só com o capital que investiu na empresa, mas também com a condução dos negócios, com a saúde financeira, com preservação do patrimônio público e com todas essas ações do município.''
Aziz não quis dar entrevista, mas, segundo Molina, a Copel entende que ele permanece no cargo. ''A Diretoria Administrativo-Financeira é um cargo a ser indicado por consenso entre Copel e município. Por isso, a Copel entende que eu não estou exonerado. Deve haver consenso para minha exoneração assim como houve para minha nomeação.''
Por meio da assessoria de imprensa, a Sercomtel disse que não se pronunciaria sobre a exoneração de Molina e tampouco sobre o pedido de afastamento de Cristiane do Conselho de Administração, porque tais fatos seriam de incumbência exclusiva dos acionistas.
A vice-presidente da Sercomtel, Eloiza Pinheiro, indicada pela Copel, afirmou que a companhia não reconhece a exoneração de Molina. Segundo ela, dos cinco integrantes do Conselho de Administração, os três indicados pela prefeitura votaram pela saída do diretor. Sobre eventuais medidas a serem adotadas pela Copel, Eloiza informou que apenas o presidente da Copel, Lindolfo Zimmer, poderia se pronunciar. A reportagem não conseguiu falar com ele. Procurada pela FOLHA, a presidente do Conselho de Administração, Cristiane Hasegawa, disse que não poderia conceder entrevista porque entraria numa reunião.


