Curitiba- O gerente da área de parcerias da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), Gilberto Griebeler, disse ontem que a estatal não tem interesse em manter contratos e parcerias com empresas que não tenham como finalidade a geração, produção, transmissão ou distribuição de energia elétrica. A Copel pretende colocar no mercado ações que tenha de empresas em que a parte societária da estatal paranaense seja minoritária. Por conta disto, a companhia está contratando uma empresa para fazer um levantamento do valor de mercado de todas as ações de 15 parcerias que foram mantidas no governo Roberto Requião (PMDB) e iniciadas durante o governo Jaime Lerner (PFL). O estudo vai ficar pronto no dia 10 de outubro. ''A Copel só irá manter as parcerias que gerarem lucratividade, tiverem dentro do setor energético e que tenham como sócia-majoritária a própria Copel. Fora disto, dificilmente teremos interesse em manter parcerias'', declarou ele, em depoimento ontem à CPI da Copel.
Entre os contratos realizados com empresas que não tenham como finalidade o setor energético está a parceria com a Sercomtel empresa de telecomunicações fixa e móvel e que detém parte do mercado de Londrina, Cambé, Tamarana e Ibiporã. A Copel comprou 45% das ações da Sercomtel em 1998, numa transação direta entre a Prefeitura Municipal de Londrina (administrada na época pelo prefeito cassado Antonio Belinati) e o presidente da Copel Ingo Hubert. As ações custaram para os cofres da estatal paranaense R$ 186 milhões. Na época, a Copel acreditava que a rentabilidade da Sercomtel ficaria entre 12% e 17% nos próximos anos.
A expectativa da Copel não se confirmou. O mercado de telecomunicações brasileiro entrou em crise. A Sercomtel fechou o ano de 1998 com rentabilidade negativa de 6,65%. De 1999 até 2002 as rentabilidades ficaram em 2,33%, 2,91%, 2,32% e 0,01% respectivamente. ''O mercado de telecomunicações mudou radicalmente. Não era este o quadro que prevíamos na oportunidade'', defendeu o diretor-presidente da Sercomtel, Francisco Roberto Pereira. Para ele, a parceria entre as duas empresas estatais não progrediu por falta de interesse da Copel. ''Víamos na Copel um potencial para expandirmos os nossos serviços para todo o Paraná. A Copel tem uma rede de fibra ótica que cobre o Estado e que poderia ser usada para transmissão de informações. No entanto, este potencial não nos foi colocado à disposição'', apontou.
Griebeler justificou que a Copel não tem interesse em expandir os serviços para setores como telecomunicações parcerias com provedores como o Onda também deverão ser desfeitas.
Também será desfeita a parceria com a Copel Emik Consultoria, onde a parceira é norte-americana. A consultoria passará a ser feita apenas com outra parceira, que será mantida: a Braspauer Consultoria. Nesta empresa, a Copel é majoritária, com 49% das ações ordinárias. Vão ser mantidas aindas as parcerias com a Usina Dona Francisca (Copel tem 23% das ações), Centrais Eólicas do Paraná (30%), Compagas, Ecoeletric (40%) e Centrais Elétricas do Rio Jordão.

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