Copel demite funcionários do caso Olvepar
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quarta-feira, 03 de setembro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia Paranaense de Energia (Copel) decidiu demitir por justa causa três funcionários de carreira que participaram da compra de créditos tributários da empresa falida Olvepar pela estatal. A decisão ocorreu uma semana após a Copel ter ajuizado ação contra o Estado, sustentando que a operação era legal. No processo, a Copel pede o pagamento de uma indenização de R$ 39,6 milhões, por causa do Decreto Estadual 671/2003, que anulou a compra dos créditos.
Os funcionários Cézar Bordin, André Grocheveski Neto e Sérgio Luís Molinari estão entre os oito acusados pelo Ministério Público (MP) Estadual de crime contra a ordem tributária e prevaricação (fazer ato ilegal em cargo público) pela compra de R$ 45 milhões de créditos tributários da Olvepar em dezembro do ano passado. A Copel pagou R$ 39,6 milhões na transação. Também são acusados o ex-presidente da Copel Ingo Hubert, o ex-diretor de Participações da Copel Mário Bertoni e o doleiro Alberto Youssef.
A demissão representa contradição com o processo ajuizado pela Copel na semana passada, na 2 Vara da Fazenda Pública em Curitiba, que diz que a Copel agiu de ''boa-fé''. A estatal sustenta que a legalidade dos créditos foi reconhecida pela Secretaria da Fazenda e por isso o negócio tinha base legal. Na época, Ingo Hubert também acumulava o cargo de secretário da Fazenda.
De acordo com a ação da Copel, o decreto 671 provoca danos patrimoniais. Os créditos adquiridos da Olvepar foram usados para pagar um débito da estatal junto à Secretaria da Fazenda. Como o decreto anulou a operação, a Copel ainda deve R$ 45 milhões. No início de agosto, a estatal pediu o parcelamento da dívida, ''para não ser ainda mais agravada em relação a questão econômica''.
A Copel não confirmou oficialmente a demissão de Bordin, Grocheveski e Molinari. Mas muitos funcionários da estatal teriam se pronunciado ontem contra a atitude da empresa, pressionando a diretoria a mudar de decisão. Hubert e Bertoni só ocupavam cargo de confiança e saíram da empresa no início do ano.
Ricardo Portugal Alves, outro funcionário de carreira da Copel, também teria defendido a operação entre a Copel e a Olvepar no ano passado. Essa é uma das declarações que Ingo Hubert fez no depoimento à CPI da Copel na Assembléia Legislativa, na terça-feira. Hubert afirmou que Portugal disse: ''estou convencido de que isso é vantajoso para a Copel''. Portugal ainda trabalha na estatal. Em depoimentos ao MP, ele afirmou que foi contra a operação. A reportagem tentou entrevistá-lo, mas a Copel informou que ele está em viagem de negócios e não podia falar.


