Curitiba - A Copel deve terminar até o final de setembro os estudos de viabilidade sobre a possibilidade de participar no leilão de concessão de trechos de rodovias federais que passam pelo Paraná. Caso a avaliação mostre que os empreendimentos são viáveis e que é possível obter uma rentabilidade adequada do investimento, a empresa vai estabelecer parcerias com empresas que têm expertise na área de rodovias. O leilão acontece no dia 9 de outubro.
Ontem, o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, e o diretor de finanças e relações com investidores, Paulo Roberto Trompczynski, participaram de uma teleconferência com analistas de mercado e investidores para prestar esclarecimentos sobre o assunto. ''A Copel acredita que é possível concorrer em igualdade de condições com as empresas privadas e ter uma rentabilidade de 8,95%'', disse.
Ele afirmou que será indispensável ter parceria com empresas da área de rodovias. ''É preciso ter acervo técnico com empresas construtoras de estradas'', explicou. A idéia é mesmo que a Copel seja majoritária nestas parcerias, ou seja, com 60% das ações. A estatal já está em conversação com várias companhias mas ainda não pode revelar nomes. Do total a ser investido, 40% será com recursos próprios e o restante através de financiamentos do BNDES para 25 anos de concessão.
O presidente da Copel disse que se a empresa não vencer o leilão, há outros empreendimentos em estudo dentro e fora do setor elétrico. Ele acredita que as tarifas menores que a estatal pretende praticar não vão prejudicar em nada a rentabilidade. Ghilardi ressaltou que a companhia tem parcerias privadas na Elejor e na Usina Termelétrica de Araucária. Ele acredita que a entrada da Copel na área de rodovias não vai prejudicar em nada a transparência e a governança corporativa da empresa.
Trompczynski disse ainda que a Copel vai focar a participação apenas em rodovias federais. A estatal não pretende entrar em outros serviços como manutenção de rodovias. Mas, ele destacou que, se a taxa de retorno não for compatível, a estatal não vai entrar no negócio. ''O que a Copel não pode fazer é ficar parada, esperando que saiam novos empreendimentos do setor elétrico, mantendo ociosos recursos que poderiam aumentar seus resultados'', disse Ghilardi. Segundo ele, a área de transmissão está quase impossível de competir. Destacou ainda que há uma grande intenção de investir na área de telefonia.
O presidente da Copel disse ainda que, apesar de a tarifa de energia ter tendência de subir, as novas usinas estão com dificuldade na área ambiental e de tarifas. Segundo ele, a Copel vai entrar na área de estradas com sócios que tenham expertise no negócio.
Ghilardi esclareceu que o estudo de viabilidade para entrar na área de rodovias foi pedido pelo Governo do Estado, que é o acionista majoritário. ''Não foi uma iniciativa direta da Copel (o estudo)'', afirmou. Segundo ele, o estatuto da Copel prevê a participação em outras empresas através da Copel Empreendimentos, empresa que foi constituída na compra da UEG Araucária.
A Copel pretende investir R$ 520 milhões no trecho 6 (BR-116 Curitiba a São Paulo), R$ 381 milhões no trecho 7 (BR-116, BR-376 e BR-101 de Curitiba até Florianópolis) e R$ 179 milhões no trecho 2 (BR-116 de Curitiba até a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul) o que totaliza cerca de R$ 1 bilhão.

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