Copel compra avião 'em parceria' com Estado
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Luciana Cristo e Rubens Chueire Jr. <br> Equipe da Folha <br> 
Curitiba - Depois de duas tentativas frustradas, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) comprou um avião na última terça-feira, ao valor de R$ 16.923.792,63, da empresa Líder Aviação. A aquisição foi feita por meio de licitação, na modalidade de pregão presencial, sob a justificativa de que uma empresa do porte da Copel necessita desse meio de transporte. Na prática, o avião deverá ser também utilizado pelo governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e pelos secretários estaduais.
Essa possibilidade já estava prevista por meio de um convênio firmado entre a Copel e a Casa Militar, publicado em Diário Oficial de 28 de novembro do ano passado, que garante o ''uso eventual pelo governo do Estado da aerovane executiva a ser adquirida pela Copel''. Modelo 2012, o bimotor turboélice com alcance mínimo de 1,5 mil quilômetro, tem capacidade para oito passageiros e dois tripulantes, além de frigobar e sistema de entretenimento com aparelhos de CD, DVD e tela LCD.
O convênio estabelece que o uso do avião pelo governo do Estado é uma contrapartida pelo local cedido ao avião e aos profissionais necessários para operá-lo. De com informações do governo do Paraná, o avião vai ficar no hangar do Estado, no Aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, porque a Copel não possui um local adequado para manter a aeronave. A Copel também não vai contratar pilotos, ou seja, utilizará a equipe de pilotagem do grupamento aéreo do Estado.
Ontem o governador defendeu a compra e disse não ver problemas em ele próprio utilizar a aeronave. ''Não vejo dificuldade alguma. Tudo o que fazemos é com convicção que é o melhor para o Estado'', respondeu.
Mandado de segurança
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que desde o início criticou a forma como ocorreu a compra do avião da Copel, entrou com um mandado de segurança na 4 Vara da Fazenda Pública de Curitiba pedindo que o pregão da Copel seja suspenso, sob o argumento de que o processo foi dirigido a uma única empresa do setor. ''A Líder Aviação era a única que poderia atender às especificações do governo'', aponta Tadeu.
Já o governador fez críticas ao petista. ''Esse deputado faz uma oposição sistemática, não está preocupado em respeitar o bem público ou que as ações do governo sejam as mais corretas possíveis. Ele está preocupado todo momento em me causar desgaste político'', disse Beto.
Tentativas
No início do ano passado, o governo do Estado locou uma aeronave a jato e um helicóptero para uso de Beto Richa. Firmado por 90 dias, o serviço da empresa Helisul Táxi Aéreo Ltda. ocorreu sem licitação. Depois desse período, um novo contrato foi feito com a mesma empresa, dessa vez por meio de pregão presencial. Em junho, o próprio governador confirmou que o Estado compraria um avião até o fim do ano (no caso, 2011), para uso exclusivo em deslocamentos do chefe do Executivo. Beto, entretanto, recuou. E, no final do ano, a Copel anunciou a compra.
O primeiro pregão da Copel, marcado para o início de dezembro, foi suspenso. Na ocasião, a estatal não se pronunciou sobre o assunto. A Copel remarcou então o pregão presencial, uma semana depois. O valor máximo estipulado era de R$ 15,9 milhões, mas não apareceram empresas interessadas (agora, o preço máximo estabelecido pulou para R$ 17 milhões).
Mais aviões
O governo do Paraná pode comprar ainda outras quatro aeronaves. Uma ordem do governo determinou que a Casa Militar faça estudos para a aquisição de um jato e um turboélice (que substituiriam os modelos antigos, leiloados em 2011), além de dois novos helicópteros. Todos seriam utilizados para viagens curtas e transporte de autoridades. Não há data estabelecida ainda para que isso aconteça e as compras dependem de recursos. Segundo a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu, no momento não há recursos alocados para isso e os estudos para as aquisições ainda estão em fase embrionária.


