Copel assume usina a gás de Araucária
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de maio de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de quase três anos de impasse, ontem as ações da empresa norte-americana El Paso no capital social da Usina Elétrica a Gás de Araucária (UEGA) passaram em definitivo à Companhia Paranaense de Energia (Copel). A venda resultará na eliminação de uma ação que a UEGA impetrou na Câmara de Comércio Internacional em Paris, em abril de 2003, após o governador Roberto Requião suspender os pagamentos mensais à usina com o argumento de que ela tinha problemas para funcionar. A ação poderia obrigar a Copel a pagar uma multa avaliada em US$ 827 milhões.
A eliminação da ação por parte da UEGA ocorre porque, após a Copel adquirir mais 60% das ações (antes pertencentes à El Paso) ela passa a ser a maior acionista da usina, com 80% das ações. A Petrobras permanece no negócio com 20% das ações. O presidente da El Paso no Brasil, Eduardo Karrer, afirmou que ''a orientação agora do grupo é investir no setor de petróleo'' o que justificaria em parte o fato da El Paso ter aceitado vender suas ações na usina a um preço inferior ao investido na construção do empreendimento em Araucária, somado aos anos em que a Copel se negou a pagar a mensalidade (em torno de R$ 25 milhões) à UEGA, e por consequência à El Paso.
Outro motivo revelado por Karrer, além da mudança do foco mercadológico, se refere à própria intenção da empresa em encontrar uma solução ao impasse. ''Não sabíamos quem iria ganhar em Paris'', disse ele. O governador disse ontem que ''o espírito de negociação nunca faltou ao Paraná'', explicando que se tratava de uma resposta para aqueles que falavam em ''risco Requião'', em referência à quebra de contrato com a usina.
Apesar da desistência da El Paso em cobrar a multa, em maio, o próprio diretor técnico da empresa, Celso Pereira da Silva, garantia aos membros da Comissão Permanente de Fiscalização e Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa do Paraná que a usina teria sido entregue à Copel, em setembro de 2002, ''em perfeitas condições de uso'', o que contraria o principal argumento do governador para quebrar o contrato. Conforme estabelecido no final da década de 90, a El Paso ficaria responsável somente pela infra-estrutura do empreendimento. Já a Copel atuaria na geração e distribuição de eletricidade.
A comissão analisava na época a mensagem do governador enviada à Casa, em meados de abril, e que pedia a autorização dos deputados estaduais para o Executivo comprar as ações. Os aliados do governador, no entanto, conseguiram no final de maio aprovar um pedido de urgência ao trâmite do tema, o que acabou suspendendo os trabalhos da comissão. A atenção dos oposicionistas na época estava voltada ao interesse do Executivo em comprar uma usina que o próprio governador se negava a colocar em funcionamento, alegando problemas na segurança.
O governador argumenta também que os termos do contrato estabelecido com a UEGA na gestão anterior, na época do governador Jaime Lerner, eram onerosos aos cofres públicos. Em depoimento à comissão do Legislativo, porém, o ex-presidente da Copel Ingo Hubert afirmou que um dos documentos assinados com a El Paso previa, após 20 anos de uso, que a Copel assumisse o controle total da usina a um preço simbólico de R$ 1,00.


