Copel
A CPI instalada pela Assembléia Legislativa para apurar irregularidades na Copel, durante o governo Jaime Lerner (PFL), tem três depoimentos marcados para esta terça-feira. O primeiro a ser ouvido será Nereu Procopiak, proprietário de uma empresa que pode ter sido beneficiada, na avaliação dos integrantes da comissão, com recursos da Copel e também da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), no escândalo nacional que envolveu também a famosa Nova Holanda. Na mesma sessão, será ouvido ainda o ex-diretor da Copel Mário Bertoni que já teve pedido de prisão decretado em função da compra de créditos tributários indevidos pela Copel da falida Olvepar. Bertoni está em liberdade porque conseguiu um habeas corpus assim como o ex-secretário de Estado da Fazenda e ex-presidente da Copel Ingo Hubert.
Acareação
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), integrante da CPI, disse ainda que a comissão pretende promover, no caso específico da compra pela Copel de ações da Sercomtel, transação ocorrida em 1998, uma acareação entre o ex-presidente da companhia de telefonia de Londrina Rubens Pavan, o ex-secretário de Governo de Antonio Belinati (sem partido) Gino Azzolini Neto e o ex-secretário municipal de Fazenda Luiz César Guedes.
Motivo
Os três já foram ouvidos pela CPI, separadamente, e deram versões evasivas e até certo ponto conflitantes para o destino do dinheiro arrecadado com a venda das ações da Sercomtel. Um diz que a responsabilidade é do outro. A Copel comprou 45% das ações, o que rendeu aos cofres do município de Londrina, na época, algo em torno de R$ 186 milhões. Se na acareação, os deputados não chegarem a uma conclusão de quem está falando a verdade, cresce a tese de convocação do ex-prefeito Antonio Belinati, quem, com certeza, poderia explicar com detalhes a aplicação dos recursos arrecadados na transação.
No xadrez
O ex-deputado estadual e ex-vereador Aparecido Custódio da Silva vai passar o domingo de Páscoa na cadeia. Ele está preso há 193 dias, acusado de se apropriar indevidamente de R$ 1,59 milhão em verbas da Câmara Municipal de Curitiba, que eram destinadas ao pagamento dos seus funcionários.
Morosidade
A defesa de Custódio considerou, em manifestações registradas no processo, que a manutenção da prisão é um ato arbitrário, já que o prazo legal para instrução do processo já expirou. Teoricamente, as prisões preventivas não podem se estender além do prazo para instrução. No caso de Custódio, no entanto, a Justiça vem prorrogando o período e mantendo o ex-deputado na cadeia.
Parceria
Os jornalistas Hélio Teixeira e Gilmar Piola estão dividindo tarefas na Comunicação Social de Itaipu. Piola, que está há menos de um mês na função, vai cuidar da imagem externa da empresa e seus diretores, com um tom mais político. Piola voltou recentemente de Brasília aonde trabalhou, entre outras coisas, para dirigentes petistas. Já o veterano Hélio Teixeira fica com a comunicação mais interna, trabalhando em cima de projetos de ordem técnica.
Estratégia
O reforço na assessoria de Itaipu, voltando-se mais para a imagem externa, é reflexo do novo perfil da estatal, que no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) era comandada por Euclides Scalco (PSDB). Jorge Samek (PT), o novo dirigente, tem olho de político. Já foi vereador e secretário de Abastecimento quando Requião era prefeito de Curitiba. Nas eleições passadas, elegeu-se deputado federal. Aceitou o cargo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não quer ficar fora da mídia, o que seria um suicídio para sua carreira política.
Fila
Outros novos diretores de Itaipu com perfil fundamentalmente político, para justificar ainda mais a reformulação de conceito de comunicação: Rubens Bueno, ex-deputado federal e presidente do PPS; Edésio Passos, ex-deputado federal e candidato derrotado ao Senado na última eleição; Nelton Friedrich, ex-deputado federal e presidente do PDT do Paraná; e Gleise Hoffmann que, apesar de transparecer imagem de técnica, está enfronhada nas articulações do PT.
Perguntinha
É impressão ou sobrou apenas para bagrinho Custódio da Silva? O caso do ex-deputado é o único de suspeita de maquiagem contábil, para apropriação de verbas de gabinete?
Leandro Donatti e sucursais
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