O comando da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso identificou um ‘‘descompasso’’ de opiniões na oposição: setores defendem a substituição da equipe econômica, enquanto outros querem a sua permanência nos primeiros meses de um eventual governo do candidato Luiz Inácio Lula da Silva. ‘‘Não há consenso nem na oposição. Defenderam hoje (ontem) a renúncia da equipe econômica, mas o governador Cristovam Buarque (PT-DF) disse que a equipe econômica deveria ser mantida nos primeiros cem dias se Lula for eleito’’, afirmou Euclides Scalco, coordenador político da campanha de FHC.
Segundo Scalco, todas as críticas da oposição à política econômica de FHC serão respondidas pela equipe econômica e pelo programa de governo para o eventual segundo mandato do presidente. ‘‘Fazer críticas é um direito, e nós vamos rebatê-las com propostas. Mas o nosso programa não tem como objetivo combater o que Lula diz. Eles (oposição) apresentam as propostas deles, e nós, as nossas’’, afirmou.
O ministro Clóvis Carvalho (Casa Civil) tachou de ‘‘brincadeirinha’’ e de ‘‘bobagem’’ o pedido de demissão da equipe econômica feito ontem por Lula. ‘‘Eu só costumo falar de coisas sérias e acho que não vale a pena a gente comentar brincadeirinhas’’, disse Carvalho. ‘‘Nós não damos importância a essas bobagens, e a população também não dá. E quem está olhando de fora conhece a seriedade do governo’’, afirmou.
‘‘É lamentável que, em uma hora séria como essa, se façam brincadeirinhas’’, completou Carvalho, referindo-se à atual crise dos mercados financeiros internacionais. Para o ministro, caberá ao eleitor ‘‘dizer quem é sério e quem não 钒. Ele disse que ‘‘não vale a pena ficar batendo boca’’.

mockup