O procedimento investigado pela Promotoria de Patrimônio Público em Curitiba teve início em Londrina, em 22 de abril de 2003. Na ocasião, as promotoras Leila Voltarelli e Solange Vicentin receberam a denúncia apresentada por Agnaldo Rosa - hoje comissionado do prefeito Barbosa Neto (PDT) na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) - segundo a qual funcionários do então deputado receberiam pela Assembleia Legislativa, mas estariam trabalhando em um programa de TV comandado pelo parlamentar, em Londrina. Conforme a denúncia, só em pessoal, seriam gastos cerca de R$ 14 mil mensais para a produção televisiva.
Segundo a promotora Leila, um dos objetivos da carta precatória, pela qual já foram ouvidas, ao longo dessa semana, nove pessoas, era esclarecer se de fato o esquema de trabalho fantasma, no órgão público, estaria ocorrendo. A promotora não se manifestou sobre as declarações de ontem. A FOLHA apurou, contudo, que um dos depoentes teria confirmado o pagamento via AL, mas para atividades no programa de TV de Barbosa.
O primeiro a depor ontem foi o publicitário Renato Mantovani, lotado no gabinete de Barbosa um único mês, em 2003. Questionado na saída sobre o depoimento, Mantovani disse que deixou o posto ''por uma questão de foro íntimo. Fui convidado para prestar assessoria, saí, mas continuei fazendo um monte de coisa e não quis receber. Aliás fiquei um mês, só, e não quis receber. Fiz uma campanha agora e não cobrei também'', afirmou, referindo-se ao primeiro turno da eleição de 2008, e do novo segundo turno de 2009.
A reportagem teve acesso ao depoimento de ontem. Nele, Mantovani se contradisse ao que afirmara na entrevista: admitiu que o salário, entregue em dinheiro por Assad Jannani, era superior a R$ 1.700. O publicitário admitiu também não ter aberto uma conta específica para receber o pagamento.
O advogado de Barbosa, Antonio Carlos Coelho Mendes, negou que a apuração esteja incluída na chamada Operação Gafanhoto. ''Isso é um inquérito civil público que apura desvio de finalidade, de função, de servidores. Mas o Barbosa terá que ser ouvido e dar a versão dele para esclarecer tudo. Antes disso, é especulação avaliar qualquer coisa'', resumiu. (J.G.)

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