Curitiba - No plenário da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná para pedir apoio aos parlamentares a reivindicações dos servidores públicos do Estado, o coordenador do Fórum das Entidades Sindicais (FES), Heitor Raymundo, também aproveitou para se manifestar sobre os últimos escândalos envolvendo a Casa. ''Sabemos que o Legislativo pode sair fortalecido da crise, mas é preciso que se puna os responsáveis e que seja restituída a ética na política'', disse Raymundo. O presidente da AL, Nelson Justus (DEM), que tem evitado falar sobre o assunto publicamente, respondeu ao coordenador do FES que a Casa ''passa por um momento histórico'' e que ''a verdade não ficará embaixo do tapete''. O FES reúne 14 entidades ligadas a servidores do Paraná.
Mas foi o único comentário do presidente da Casa sobre os escândalos. Justus ainda não comentou publicamente sobre a prisão de três ex-diretores da Casa, no último sábado, pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os três ex-diretores - Abib Miguel, José Ary Nassiff e Cláudio Marques da Silva - foram presas junto com outras sete pessoas (duas foram liberadas). O Gaeco aponta evidências de crimes como formação de quadrilha ou bando; peculato (desvio de dinheiro público); falsificação de documento e lavagem de dinheiro.
Além de não comentar as prisões, Justus também preferiu não falar sobre o resultado dos trabalhos da comissão de sindicância da AL, cuja abertura foi anunciada no início do mês pela direção da Casa como uma das principais medidas internas após os escândalos. O resultado da sindicância foi divulgado na última segunda-feira, através de uma nota na qual fica sugerida a abertura de um processo administrativo disciplinar contra os três ex-diretores da Casa. Não houve qualquer divulgação sobre o que exatamente a sindicância apurou.
Os trabalhos da comissão de sindicância foram conduzidos por três membros da própria AL. Os representantes indicados pelo Tribunal de Contas (TC) do Estado para fazer parte das investigações teriam saído antes mesmo do início dos trabalhos, embora a desistência deles tenha sido divulgada apenas na segunda-feira última. ''A conclusão foi de que, por definição, a sindicância é um procedimento interno'', explica a nota do TC enviada anteontem.

mockup