Coordenador da PIC depõe na CPI do Grampo
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terça-feira, 05 de dezembro de 2006
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O coordenador da Promotoria de Investigação Criminal (PIC), Paulo Kessler, disse ontem que já tem indícios de quem seria o ''mandante'' do policial civil Délcio Rasera, preso desde setembro após uma ação da PIC, órgão vinculado ao Ministério Público (MP). Kessler comentou sobre o assunto na terceira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa, criada para apurar suposto envolvimento do Executivo (atual gestão do governador Roberto Requião e as duas últimas gestões do governador Jaime Lerner) com o esquema de grampos telefônicos. Kessler se negou a dar detalhes sobre o caso, já que corre em segredo de justiça.
O depoimento do coordenador começou pouco antes das 18 horas e terminou por volta das 20 horas. O procurador de Justiça Dartagnan Abilhoa, ex-coordenador da PIC, também foi convocado, mas não compareceu à reunião.
O objetivo principal da convocação do coordenador da PIC, conforme explicou o relator da CPI do Grampo, deputado estadual Jocelito Canto (PTB), não era, porém, tratar do policial civil que estava cedido ao Palácio Iguaçu quando foi preso. ''Há dúvidas quanto à postura da PIC no caso. A gente sabe que teve aproveitamento político. Queremos saber se em algum momento houve vazamento de informações. E se não houve escutas ilegais dentro da própria PIC'', disse Canto. A CPI está sendo conduzida somente por parlamentares da base governista. Os dois únicos parlamentares da oposição que faziam parte da CPI - Luiz Carlos Martins (PDT) e Plauto Miró (PFL) - saíram antes mesmo do início das investigações sob o argumento de que os demais membros iriam tirar o foco do caso Rasera.
Ao ser questionado pelo relator, Kessler explicou que as fitas das investigações ficam guardadas numa sala de acesso restrito e que as duas representações contra a atuação da PIC, uma protocolada pela coligação Paraná Forte (do então candidato Roberto Requião) e a outra pelo próprio Rasera, já estão arquivadas. O relator também questionou sobre o material (gravações telefônicas) entregue à PIC por dois veículos de comunicação. Kessler disse que o material não foi integralmente analisado pela PIC, mas que ele não deve ser misturado ao caso Rasera. ''Eu acho que quem enviou aos veículos queria que a PIC juntasse o material com as fitas do Rasera. Por isso nosso cuidado em separar as coisas. São fitas clandestinas, não valem como provas'', explicou.
O relator também fez referência ao ''caso mexicano'', no qual policiais civis, entre eles o filho do ex-coordenador da PIC Dartagnan Abilhoa, foram apontados como autores de uma extorsão, em 2003. Kessler, que é amigo do ex-coordenador, disse que desde então o órgão vem sofrendo ''uma campanha de bastidores'' com o objetivo de difamar sua atuação. Kessler enfatizou que a PIC ficou afastada do caso, assumido pela Promotoria de Inquéritos Policiais (PIP). Abilhoa deixou a PIC em dezembro de 2005.
Uma nova convocação ao ex-coordenador será feita pela CPI hoje. A reunião será marcada para quarta-feira, às 17 horas. Outro convocado pela CPI será Rasera, que deve comparecer à Assembléia Legislativa na segunda-feira, também às 17 horas.


